Pescadores têm nova batalha com Itaipu
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Pescadores de Foz do Iguaçu que atuam no Lago de Itaipu denunciam que o rebaixamento do lago, com o objetivo de aumentar a produção de energia, está provocando a morte de peixes por falta de alimento. Segundo explicação deles, o alimento, que normalmente fica na superfície da água, ficou retido nas margens com o rebaixamento do nível da água.
Técnicos da Itaipu Binacional contestam a informação e dizem que não constataram a existência de peixes mortos às margens do lago. Também afirmam que o rebaixamento não é suficiente para provocar um acidente ambiental.
Sempre que o nível do lago abaixa, os peixes morrem. Quando o lago volta ao normal, acabam as mortes, afirmou o presidente da Colônia de Pescadores Z-12, Orchilio José Reis. A colônia reúne 350 pescadores. Segundo ele, estão morrendo principalmente as espécies armado e corvina.
Os peixes se alimentam das conchinhas (caramujos) que ficam boiando na água. Com o rebaixamento, elas ficaram presas nos barrancos. Na opinião de Reis, as consequências podem se agravar porque é a época da piracema período de reprodução dos peixes, que vai de novembro até fevereiro. A Itaipu está matando os peixes na desova, porque eles morrem no barranco.
O biólogo Hélio Fontes, gerente da divisão de Ecossistema Aquático da binacional, afirmou que os técnicos da Itaipu e até do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), depois de fazerem uma pesquisa em campo, não encontraram peixes mortos no reservatório. Ficamos sabendo pela imprensa. Todos os pescadores estão orientados a nos procurar caso percebam qualquer irregularidade e até hoje ninguém nos procurou.
De acordo com Fontes, o rebaixamento não é suficiente para provocar um acidente ambiental. Pode até ter ocorrido a morte de alguns caramujos, mas não de todos que estão nos barrancos, a ponto de provocar a morte por falta de alimentação.
A Hidrelétrica de Itaipu deve responder até amanhã por 27% da produção brasileira de energia elétrica 2% acima da média normal. A operação foi iniciada no último dia 9, com o objetivo de socorrer o sistema de geração das regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste, cujos reservatórios estavam baixos devido à falta de chuvas.
Como consequência, a Itaipu reduziu o volume do lago utilizando mais 1.150 metros cúbicos de água para gerar a energia necessária. A previsão era reduzir a lâmina dágua em 80 centímetros. De acordo com a assessoria de imprensa, o nível da água do lago só foi rebaixado em 13 centímetros, passando dos habituais 219,22 metros para 219,08 metros.





