Pescadores reclamam que seguro é insuficiente
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de dois mil pescadores de Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos, Guaratuba e Guaraqueçaba, que estão proibidos de pescar o camarão-sete-barbas desde outubro por causa do período de defeso, deram entrada no requerimento de seguro-desemprego. Parte deles recebeu a primeira das três parcelas a que tem direito, no valor de um salário mínimo (R$ 350), no dia 6 deste mês. Outros pescadores de Paranaguá, Guaratuba e Guaraqueçaba, que serão atingido pelo defeso do camarão de baía, que começa dia 15 de dezembro, também se movimentam para garantir o benefício a partir do próximo mês.
O seguro-desemprego, que garante o pagamento do benefício durante três meses, é uma garantia de que o orçamento não ficará zerado durante a época de reprodução do camarão, mas está longe de resolver o problema dos pescadores. ''Nesse período é difícil. O pescador não pode parar de pescar durante três meses'', diz o presidente da Colônia de Pescadores de Matinhos, Mário Jorge Hanek.
De acordo com ele, um pescador ganha entre R$ 700 a R$ 1,2 mil por mês em épocas normais, valor que depende de ele ter ou não embarcação própria. Na época do defeso, além dos R$ 350 do seguro-desemprego, eles têm que procurar outras formas de renda. Quem tem embarcação e material, recorre à pesca de peixe de rede, como a pescada branca, salteia e cação, peixes da época. Outros, que não têm material, trabalham em embarcações de terceiros, ganhando o seu ''quinhão'', como chamam.
Segundo Edmir Manoel Ferreira, presidente da Colônia de Pescadores de Paranaguá e diretor da Federação das Colônias de Pescadores do Estado, a situação está mais grave desde 2004, quando um acidente com o navio VicuÀa resultou no derrame de grande quantidade de óleo na baía. Ele acredita que a produção de peixe caiu em 40% desde então. ''E vai demorar pelo menos mais uns três anos até que o ambiente consiga se recuperar'', avalia.
Ele conta que tem dois barcos pequenos, de 12 metros, e com capacidade para 5 toneladas cada. Para colocar uma embarcação no mar ele calcula uma despesa de R$ 2 mil. ''Eu não chego com R$ 1 mil de uma pescaria. A gente não pega 150, 200 quilos de peixe. É melhor parar do que trabalhar assim'', reclama. A maioria dos pescadores, segundo ele, está em péssimas condições. ''Alguns saem para pescar só para o seu sustento'', conta.
Apesar das dificuldades, todo mundo concorda com as restrições à pesca na época de reprodução. ''Não é bom comercialmente, mas é preciso ver o que é bom para a pesca depois'', diz Hanek. A expectativa, agora, está na temporada de verão que inicia. Segundo Ferreira, em novembro normalmente o mar aumenta a produção de peixe. ''Vamos ver o que acontece a partir desse mês'', diz. Hanek, que acredita que o consumo deve no mínimo dobrar no verão, também aposta no aumento da quantidade de peixes. ''A expectativa é que aumente a produção até janeiro, a gente possa vender mais barato e em maior quantidade'', diz Hanek.


