Os moradores da Colônia de Pescadores de Foz do Iguaçu receberam ontem 300 velas que repelem o aedes aegypt, mosquito transmissor da dengue. A doação foi feita pelo Comitê Rotário Três Fronteiras, entidade que engloba 12 rotarys da Argentina, Brasil e Paraguai.
O projeto lançado ontem prevê ainda a construção de uma fábrica de velas de andiroba, planta amazônica utilizada pelos índios como repelente natural. As pesquisas da 'vela antidengue' começaram nas universidades de Manaus (AM) e Belém (PA). ''Conseguimos a liberação da essência e agora vamos reunir recursos em parceria com uma ONG de Foz. Queremos oferecer o produto à população carente com um preço acessível'', explicou a presidente do Comitê, Eugênia Maria de Castro dos Santos, lembrando que a vela já existe no mercado, mas custa R$ 16,00. A intenção da entidade é conseguir US$ 30 mil para comprar duas máquinas capazes de produzir mensalmente 45 mil peças.
O princípio ativo da andiroba foi descoberto por cientistas que estudavam doenças tropicais na Amazônia. Eles descobriram que os índios dificilmente contraim dengue e malária porque usavam um ''incenso'' à base de gordura e um pó conseguido com a moagem do bagaço da planta. Segundo os pesquisadores, a queima de uma vela em ambiente fechado por apenas 24 horas pode repelir insetos por até um mês. Mesmo assim, Eugênia lembra que o uso da resina deve ser feito para auxiliar outras ações de combate à doença. ''A solução definitiva do problema é a conscientização dos moradores para acabar com os focos de reprodução, como as águas paradas em garrafas e vasos'', exemplificou a presidente do Comitê.
A escolha da colônia de pescadores para o lançamento do projeto está ligada ao fato de ser um dos locais com maior incidência de proliferação do mosquito em Foz. Para Antonio de Oliveira, pescador de 70 anos, sendo 26 deles dedicados à profissão, a campanha pode auxiliar a comunidade que já vem passando por várias dificuldades, como redução do pescado na região em até 60% nos últimos 10 anos. ''Graças a Deus nunca tive essa doença. Mesmo assim vou usar a vela em casa, já que tenho a esposa, um filho e um neto morando comigo'', comentou Oliveira.

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