Pescadores querem nova indenização
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson Mazzetto
Operação polêmicaBarcos de pescadores parados em atracadouro de Guaíra. Polícia teve que garantir obras de derrocamento. Série de explosões (acima) estaria contaminando cardumes
Pescadores da região de Guaíra pretendem cobrar indenização do governo por causa das explosões de rochas com dinamite no rio Paraná. Eles alegam que a pesca está sendo afetada. As explosões foram iniciadas na noite de anteontem, quando o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), da Secretaria dos Transportes do Estado, começou a executar as obras da etapa final do derrocamento no rio, para abertura de um canal de navegação entre Guaíra e Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul.
Em 1996, na primeira etapa do derrocamento, os pescadores já haviam sido indenizados. O presidente da Colônia de Pescadores Z-13, de Guaíra, Devaldir Capatti, disse ontem que homens e lanchas da Marinha e polícias Federal, Militar e Civil impediram a movimentação de barcos de pescadores, que ameaçavam bloquear o derrocamento até que o DER depositasse em juízo R$ 900 mil. O dinheiro seria repartido por 450 pessoas, de acordo com lista formalizada pela colônia. Segundo Capatti, estes pescadores trabalham fora da faixa onde é aberto o canal de navegação.
Capatti disse ainda que os reflexos negativos para a pesca ocorrem além da faixa das explosões, pois cardumes teriam sido dizimados e os que restaram foram contaminados. A carne tem gosto ruim por causa da dinamite e os compradores da cidade e de outras regiões não querem mais nossos peixes, relatou, acrescentando que havia sete peixarias em Guaíra mas seis fecharam as portas. A que restou, conforme Capatti, tem que ser abastecida por pescadores de pontos mais distantes, do Mato Grosso do Sul e do Paraguai.
A mobilização dos pescadores começou em agosto do ano passado, quando o DER se preparava para iniciar o derrocamento em uma faixa de 1,4 mil metros de extensão por 80 metros de largura, entre a ponte e proximidades do local onde estão submersas as Sete Quedas. O derrocamento elimina formações rochosas cujas pontas estão pouco abaixo da lâmina dágua, impedindo a passagem de embarcações de carga, de maior calado.
Com intermediação do Ministério Público, Judiciário e órgãos ambientais, 186 pescadores que atuavam na faixa do derrocamento acabaram obtendo do DER uma indenização de R$ 780 mil. O valor foi definido levando em conta um período de 12 meses de inatividade, ao final do qual será feito laudo sobre o repovoamento das espécies e em consequência a volta da pesca no local nas mesmas condições anteriores.
A Colônia Z-13 alega ter estudos indicando que mensalmente eram obtidas mais de 120 toneladas de peixes na faixa do Rio Paraná próxima a Guaíra. Atualmente, não passariam de 50 toneladas, conforme a entidade. As explosões de 96 não eliminaram inteiramente as rochas, restando pontas que agora estão sendo detonadas em definitivo.
O DER havia se comprometido a depositar em juízo os R$ 900 mil, mas não cumpriu, afirmou Capatti. A proibição da saída dos barcos pesqueiros, segundo ele, impediu os pescadores de trabalhar e de participar de uma assembléia que discutiria a ocupação de toda a área do derrocamento. No final da tarde de anteontem, o juiz Ademir Richter, da Comarca de Guaíra, intermediou acordo para que a indenização seja discutida com o DER.


