Pescadores profissionais de Guaíra (115 km a sudoeste de Umuarama) pretendem acampar novamente hoje em frente ao prédio da Secretaria dos Transportes em Curitiba para pressionar o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) a indenizá-los dos prejuízos causados pelas explosões de rochas no Rio Paraná. As explosões foram feitas em 1995 para abrir um canal de navegação no rio.
Um grupo de 54 pessoas, incluindo 8 mulheres, viajou ontem à noite para Curitiba. Há 15 dias, 45 pescadores ficaram dois dias acampados em frente ao prédio do DER. Voltaram para casa dia 15 de julho, depois que diretores do DER prometeram calcular em 60 dias novos valores para a indenização, enquanto o deputado Valdir Rossoni (PTB) providenciaria cestas básicas para as 187 famílias que sobreviviam da pesca de cascudo preto na área das explosões.
Desta vez, os pescadores garantem que só suspendem o protesto depois de receber a indenização. Eles decidiram romper a ‘‘trégua’’ depois de receberem as cestas básicas, segunda-feira. Segundo o tesoureiro da Colônia Z-13, à qual os pescadores são filiados, Nivaldo Capatti, as cestas são suficientes apenas para alimentar três pessoas durante uma semana. Os pescadores já estavam irritados com o DER por não ter enviado nenhum representante à reunião feita em Guaíra na quinta-feira passada.
Cada pescador recebeu entre R$ 12,00 e R$ 15,00 em alimentos. O pescador Jorge José da Cruz conta que pegou R$ 20,00 emprestado para ir a Curitiba no primeiro protesto, não tem dinheiro para comprar comida e a cesta que recebeu não dá para sustentar a família por mais de uma semana (as cestas básicas seriam repassadas todo mês, durante três meses). O pescador viajou novamente para Curitiba ontem sem nenhum dinheiro no bolso.
Os pescadores alegam que as explosões de rocha no rio mataramou contaminaram 90% dos peixes, inviabilizando a pesca na área. Antes do derrocamento de rochas, os 187 pescadores receberam R$ 3,1 mil cada um calculados sobre a previsão de que as explosões impediriam a pesca durante um ano.
O DER também se comprometeu a discutir nova indenização se os prejuízos fossem maiores que o previsto. O derrocamento destruiu um dos principais redutos do cascudo no Paranazão, uma área de rochas cerca de 1 quilômetro acima das Sete Quedas, inundadas em l983 pela formação do Lago de Itaipu.
Segundo o advogado da Colônia Z-13, Aparecido Martins, o DER está apenas tentando protelar o pagamento da indenização quando fala em fazer nova perícia no rio para avaliar os estragos das explosões. ‘‘Uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de Maringá, a pedido do próprio Estado, já comprovou isso’’, diz. Com base no estudo da UEM, a Colônia ingressou com uma ação na Justiça, pedindo o pagamento de mais R$ 3,1 milhões a título de indenização aos l87 pescadores de cascudo.
De acordo com Aparecido Martins, as famílias estão passando necessidade e não têm como suportar a espera de uma decisão judicial que pode demorar anos. ‘‘Nós esparamos que o governo tenha boa vontade e tente encontrar uma solução amistosa. Os pescadores já demonstraram boa vontade e aceitaram o acorco proposto pelo DER antes do derrocamento, quando havia pressa em executar a obra. Agora é a vez do DER cooperar’’, diz Martins.

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