Com os termômetros em alta em pleno outono, o londrinense não abriu mão dos típicos programas das tardes domingueiras de verão. Ontem, nas margens do Lago Igapó 3, várias pessoas disputavam os aparentemente ariscos peixes da região. Para degustá-los – ignorando os índices de poluição da água – ou apenas pelo prazer de ver a vítima fisgar a isca, os pescadores de fim de semana fazem do local uma opção de lazer.
‘‘Com um calor desses, o pessoal não quer ficar em casa vendo televisão’’, justificou o pedreiro Nilson Ciriaco, 36 anos, que costuma pescar no lago junto com a filha quase todos os finais de semana. ‘‘Para quem gosta, é uma diversão. Pegando peixe ou não, saio contente do mesmo jeito’’. O tecelão Vanderlei Clisostomo, 27 anos, também não se incomoda com a má sorte na pescaria. ‘‘Se eu pegar, eu solto’’, disse. ‘‘Até porque não tem condições de comer esse peixe’’, observou a esposa Ana Paula, que aproveitou a ocasião para levar o filho Pedro, de 5 anos, ao playground próximo ao lago.
Habituado a pescar desde criança, Vanderlei vai ao Igapó quando não tem outra opção. ‘‘Várias vezes eu pesquei e passei para o colega do lado. Se houvesse o parecer de alguma entidade garantindo que se pode comer os peixes daqui, eu levaria para casa. Mas é mais fácil ouvir o contrário’’, lamentou. Já o pintor Itamar Augusto Damas Júnior, 30 anos, sempre transformou em refeição o resultado da pescaria no lago. Nos dias de melhor sorte, chegou a pegar um quilo de tilápias e lambaris. ‘‘Ninguém falou nada que tinha poluição aqui’’, surpreendeu-se. Itamar estava na companhia de amigos, dos filhos e da esposa, Sandra, 27 anos. ‘‘É um passatempo gostoso com esse calorzão. Pelo menos as crianças se divertem’’, disse a mulher.
Para o pintor aposentado Valdemar Baroto, 58 anos, a pescaria no lago não se limita aos finais de semana. Quase todos os dias, passa de quatro a cinco horas no local. ‘‘Beira de rio é tudo na vida. Não troco isso por nada’’. Segundo ele, 90% dos peixes que pesca ali – sobretudo tilápias – vão para a cesta dos amigos. ‘‘É muito difícil de limpar’’, justificou. Já os lambaris ele não dispensa, mesmo depois de notar óleo na água dias atrás. ‘‘Se lavar e fritar direitinho, não vai fazer mal nenhum’’, acredita.

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