Pescadores garantem 2ª indenização
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segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Cirlene SoaresDinheiro à vistaBarcos atracados em Guaíra. Esta é a segunda compensação que o DER dá aos pescadores por causa da redução de peixes no rioCerca de 530 pescadores da região de Guaíra dividirão R$ 795 mil em indenização que será paga pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), devido à redução da pesca no Rio Paraná. É que o órgão está realizando explosões para eliminar rochas e abrir um canal de navegação na área da ponte que ligará Paraná e Mato Grosso do Sul. Representantes dos pescadores informaram ontem que a indenização será paga em 30 dias, em cumprimento a um acordo judicial.
Esta é a segunda compensação que o órgão da Secretaria dos Transportes concede aos pescadores. Não está descartada a possibilidade de nova indenização caso os cardumes não se recomponham inteiramente na área. No ano passado, uma indenização de R$ 786 mil contemplou 186 pescadores que se dedicavam à pesca do cascudo, espécie que tinha habitat nas rochas que estavam sendo detonadas com dinamite. Pescadores não incluídos naquela compensação passaram a se mobilizar, exigindo o mesmo tratamento.
No dia 15 de julho, eles ameaçaram ocupar com seus barcos a área do derrocamento, feito em trecho de 1,3 mil metros nas proximidades da ponte em obras. O advogado Aparecido da Silva Martins, que representou a maior parte das 530 pescadores agora indenizados, comentou ontem que o DER estava fazendo distinção entre pescadores da faixa do derrocamento e fora dela. Isso não tinha sentido, porque rio não tem porteira fechada e pescador trabalha onde for possível, disse. O órgão queria um laudo comprovando a redução da pesca fora da área de derrocamento.
Segundo o procurador jurídico do DER, Maurício Ferrante, também era questionado o valor inicial pretendido para a indenização, de R$ 900 mil. O órgão apresentou proposta de R$ 430 mil. O acordo acabou sendo fechado nos R$ 795 mil. Segundo o advogado Aparecido da Silva Martins, um dos três advogados que representam os pescadores, a Universidade Estadual de Maringá deverá produzir nos próximos meses um laudo que indicará se os cardumes voltaram à mesma quantidade de antes das detonações.
O DER aceitou discutir uma indenização final, caso a pesca volte aos volumes anteriores, completa o advogado. Segundo o presidente da Colônia de Pescadores Z-13, de Guaíra, Devaldir Capatti, as explosões eliminaram cardumes além da faixa do derrocamento. Antes, a pesca rendia mais de 120 toneladas de peixes por mês. Agora não passa de 50 toneladas.


