Pescadores exigem compensação
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Pescadores do Lago de Itaipu, que sobrevivem da atividade, querem ser indenizados pela Itaipu Binacional, a quem apontam como responsável pela redução do volume de pesca e o desaparecimento de espécies de maior valor comercial. A barragem da hidrelétrica provoca impactos permanentes sobre a pesca, segundo dirigentes das colônias.
Representantes dos profissionais que atuam entre Foz do Iguaçu e Guaíra e Mundo Novo (MS) estarão reunidos neste final de semana em Santa Helena (111 km a oeste de Cascavel) para avaliar ações que movem na Justiça Federal contra a binacional. Eles também exigem estudos sobre os impactos e o reinício de pesquisas permanentes que eram feitas no lago pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A UEM fazia avaliações sobre o comportamento da ictiofauna (cardume de peixes) até o ano passado, empregando pesquisadores através de convênio com a empresa, mas a parceria não foi renovada. Segundo o procurador-jurídico das colônias, advogado Aparecido Martins, em função disso não há informações objetivas sobre volumes de pesca. A Itaipu sustenta que seriam crescentes, mas só se for em referência a espécies de baixo valor comercial, diz Martins.
Mesmo assim, a empresa precisa provar que o volume de pesca cresceu, já que não há embasamento técnico para afirmar isso.
As colônias exigem a elaboração de Relatório e Estudo de Impacto Ambiental (Rima e EIA) sobre danos à ictiofauna. Além disso, apontam que alterações do nível do lago e a inexistência de estrutura que permita a transposição dos peixes sobre a barragem influem sobre a piracema (deslocamento dos peixes para a desova). Uma escada para transposição da barragem teria funcionamento apenas esporádico para captura de espécies para pesquisas e repovoamento.
As associações querem que a Justiça fixe indenizações de acordo com estudos independentes e que o valor seja rateado entre seus integrantes. Apenas a colônia de Guaíra tem 800 associados, segundo o presidente Devaldir Capatti.
O superintendente de Comunicação da Itaipu, Helio Teixeira, diz que é superestimado o número alegado pelas colônias de pessoas que dependem da pesca no lago. Teixeira afirma que levantamentos encomendados pela empresa apontam apenas 500 pescadores. E não 2 mil, como já afirmaram as colônias.





