Pescadores denunciam ação predatória
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domingo, 01 de março de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A pesca predatória está diminuindo a atividade pesqueira no Litoral paranaense. A afirmação é do presidente da Federação de Pescadores do Paraná, Edmir Manoel Ferreira. ''Estamos voltando ao mar mais vezes para manter o volume de pescado. Nosso custo de produção quase dobrou'', calcula. Ferreira representa cerca de 12 mil pescadores artesanais - que vivem exclusivamente da pesca, vendendo o produto em feiras nas praias e estabelecimentos comerciais no Litoral. A quantidade pouca, cerca de 15 quilos por dia de trabalho, rende em média R$ 100 em época de temporada. ''Dinheiro para a sobrevivência e não para o lucro'', aponta Ferreira que também é presidente da Colônia de Pescadores de Paranaguá.
De acordo com o secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, a pesca predatória não é realizada pelos pescadores paranaenses. Corsários de médio e grande porte oriundos, principalmente, de São Paulo e Santa Catarina, atracam perto da costa atrás de peixes e camarões. ''São verdadeiros piratas pagos pela indústria pesqueira e comerciantes de peixe'', denuncia. Os barcos, ancorados a 5 milhas como determina a lei, despejam pequenas embarcações que voltam no fim do dia com o pescado.
A Operação Verão deste ano intensificou a fiscalização no Litoral para evitar a pesca predatória. Foram 73 boletins de ocorrência e apreendidos 2.674 metros de redes, 10 tarrafas (pequenas redes lançadas a mão); 6,5 toneladas de peixes (enviados para instituições de caridade); 16 barcos-motor, entre outros objetos. As multas dos 28 autos de infração somaram R$ 180,4 mil.
''Não houve aumento de pesca em relação ao ano passado, mas em volume de denúncia sim, principalmente da parte dos pescadores esportivos'', comenta Rasca. Doze pessoas foram presas. Segundo o secretário, são pessoas que confessaram trabalhar para a indústria. As prisões foram efetuadas em Paranaguá (3), Guaratuba (2), Guaraqueçaba (3) e Morretes (4).
No Paraná, embarcações que praticam o arrasto com parelhas só podem trabalhar a partir de cinco milhas da costa. As parelhas utilizam uma rede arrastada por duas embarcações geralmente idênticas e que atingem até 80 metros de profundidade, danificando o fundo do mar e capturando peixes de todas as espécies e tamanhos. O arrasto não permite a seleção do tamanho e quanto mais perto da costa, maior a incidência de peixes mais jovens devido à quantidade de alimento existente.
''Para cada 100 quilos de peixe capturados, 90% são jogados fora devido ao tamanho inadequado para a venda'', informa o chefe do escritório regional do Ibama, Lício Domit. Ele afirma que o Ibama mantém um sistema de rastreamento de grandes embarcações, via satélite, e que possibilita o monitoramento em tempo real, de onde estão as embarcações que estão praticando o arrasto.
No dia 20 de fevereiro, dois barcos pesqueiros de Itajaí (SC), com cerca de 17 metros de comprimento cada, foram retidos na costa de Paranaguá por uma operação conjunta realizada pela Força Verde, Ibama, Receita Federal e Capitania dos Portos de Paranaguá. A tripulação de nove pessoas era de Santos (SP). Eles estavam a 3,5 milhas da costa - área proibida destinada a preservação costeira e reprodução das espécies marinhas. Seis toneladas e meia de pescado foram apreendidos. As embarcações foram autuadas em R$ 136,8 mil.


