Pescadores confirmam desvios no Baía Limpa
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quarta-feira, 07 de março de 2001
Luciana Pombo e Andréa Lombardo De Curitiba 
Sete dos nove pescadores de Guaratuba (Litoral do Estado), que foram intimados para depor compareceram ontem na delegacia da cidade. Eles confirmaram as denúncias de suposto desvio de recursos do Programa Baía Limpa e de falsificação de documentos e recibos. Prestaram depoimento Orlando Alves, Luiz Carlos Peres, Narciso de Amorim, Silvanir Cunha, Hubert Kurshat, Cleomar Silveira e Álvaro Cunha.
Segundo o delegado designado para acompanhar o caso, Almir Follador, de Paranaguá, o ex-presidente da Colônia de Pescadores de Guaratuba, Osvanir da Silva, mesmo intimado, não compareceu. O ex-diretor do Instituto Ambiental de Guaratuba (IAG), Paulo Pinto, não foi localizado.
Follador disse que colheu assinaturas dos envolvidos para um confronto grafotécnico com os documentos de uma das prestações de contas da Colônia de Pescadores de Guaratuba, que conseguiu apreender. O material será encaminhado para o Instituto de Criminalística de Paranaguá.
De acordo com a denúncia, os pescadores foram contratados em 1995 para fazer a limpeza da baía. Eles receberiam R$ 112,00 por pescador, cesta básica e combustível para a embarcação. Os recursos seriam repassados do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para a Colônia de Pescadores de Guaratuba e para o Instituto Ambiental de Guaratuba (IAG).
As irregularidades teriam começado a aparecer em janeiro de 1997, quando os pescadores (aproximadamente 110) começaram a receber apenas dois terços do salário mínimo, além da cesta básica e do combustível. Em janeiro de 1998, o óleo deixou de ser fornecido e apenas meio salário mínimo era pago.
Em 1999, os pescadores estavam recebendo apenas a cesta básica e em outubro do ano passado, todos os benefícios foram cortados. Pelo que eu pude apurar até agora, o dinheiro era repassado do Estado para o município. O desvio de dinheiro teria ocorrido aqui. Em tese. Mas ainda estamos investigando, destacou o delegado Almir Follador, designado para a execução do inquérito que tem 30 dias para ser concluído.
O atual presidente da Colônia dos Pescadores, Álvaro Cunha, disse em recente entrevista à Folha que ele pode perceber a falsificação de sua assinatura em documentos até 1998. Ele teria trabalhado na entidade apenas em 1995. Pinto negou que haja qualquer tipo de irregularidade na condução dos recursos do programa e explicou que os valores continuaram sendo repassados pelo Estado, mas parte foi destinada para compra de materiais para a Colônia. Osvanir da Silva foi procurado ontem pela reportagem da Folha, mas não foi encontrado.


