Edson MazzettoMoraes: ‘‘Pesca não tem graça se não houver luta, sacrifício’’O radialista Edson Moraes, 42 anos, de Cascavel, é apaixonado pela pesca, mas não vai a pesque-pagues, que compara a aquários. ‘‘É chegar e pegar com a mão’’, afirma. Mais uma ressalva: ‘‘Claro, quando há peixe no tanque’’.
Muitos frequentadores dos 15 pesque-pagues existentes entre as cidades de Cascavel e Toledo reclamam que, às vezes, passam horas sem fisgar nenhum peixe. Sempre que pode, Moraes, narrador esportivo e apresentador de programa de variedades na Rádio Colméia e de telejornal na TV Tarobá, troca o microfone pela varinha de pesca ou o molinete, mas somente em rios.
O radialista pesca desde criança, quando morava com os pais em Nova Aurora, município próximo a Cascavel. O Rio Piquiri e outros, menores, ‘‘tinham tanto peixe, que em apenas um dia eu chegava a pescar mais de 50 peças, e das boas’’, conta. ‘‘Hoje, a maior parte dos rios só serve para dar banho na minhoca.’’
É por isso que Moraes foge às vezes para a região de Ayolas, no Paraguai, a 150 quilômetros de Cascavel, local de um dos principais pontos de pesca do Rio Paraná, na fronteira do país com a Argentina.
‘‘A pesca não tem graça se não houver luta, sacrifício’’, diz ele, acostumado a fisgar dourado, ‘‘peixe valente’’ que chega a pesar 20 quilos, ao contrário dos que dão sopa em tanques. Ele, que divide a posse de um barco de 25 HP com um amigo, diz que indo para Ayolas não gasta muito mais do que se fosse a um pesque-pague ‘‘tirar o peixe e pagar por ele’’.
Os filhos Mateus, 9 anos, e Luana, 15, também são ‘‘chegados’’, mais do que a esposa, Cleusa, 42 anos. ‘‘Mateus não tem muita paciência. A Luana tem sorte, e não tenha dúvida que sorte é importante para o pescador’’, diz Edson.
Cleusa o acompanha às vezes. ‘‘Mas é para me policiar, para ver mesmo se vou pescar, e com quem’’, brinca o radialista. Ele conta um caso que, garante, não é brincadeira ou estória de pescador, de uma pesca feita a quatro mãos. Um dia, fisgou um dourado ‘‘com uns oito quilos’’, mas a linha arrebentou e o peixe fugiu.
Pouco depois, sua linha nova, a de um amigo, e os anzóis, ‘‘se enroscaram na água e se trançaram na linha arrebentada, sem que a gente percebesse’’. Ele conta o desfecho, certo de que quem ouve acredita: ‘‘Sentimos a puxada forte, e veio para cima exatamente o mesmo dourado, com o anzol anterior enganchado na boca.’’

mockup