Edson MazzettoAproveitamentoJosé Kuiava, da Unioeste: aposta no potencial do Lago de ItaipuA região do Lago de Itaipu terá um Núcleo Avançado de Pesquisas Pesqueiras, Biológicas e do Meio Ambiente. O projeto é da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da prefeitura de Santa Helena (117 quilômetros a oeste de Cascavel). É o primeiro trabalho do gênero em implantação, voltado à pesquisa do potencial da pesca e do ecossistema resultante da formação do lago, em 1982, com o represamento do Rio Paraná pela barragem da hidrelétrica de Itaipu.
Universidade e prefeitura realizaram no final da tarde de ontem o lançamento da pedra fundamental do Núcleo de Pesquisas. O ato teve apenas caráter formal, uma vez que as obras já estão em estágio avançado. São 1,2 mil metros quadrados em uma primeira etapa, com a conclusão prevista para o final do ano. Além das edificações construídas com recursos de R$ 350 mil da prefeitura, o Núcleo utilizará uma área de 2,5 alqueires - que custou R$ 80 mil - também doada pelo Município.
O projeto começou a ser desenvolvido em junho de 96, quando Unioeste e prefeitura firmaram convênio de cooperação técnica, científica e cultural. O Núcleo integrará um complexo que compreende recursos hídricos e margens do lago, viveiro de mudas e refúgio biológico da Itaipu. A estrutura física é composta por laboratórios de pesquisa, microbiologia, biologia, dinâmica populacional e geoquímico-ambiental, alojamento para acadêmicos e professores, refeitório, auditório e outras instalações de apoio.
Segundo o professor José Kuiava, da Assessoria de Convênios da Unioeste, o núcleo deve estar pronto para iniciar atividades ainda este ano. Nele atuarão principalmente estudantes e professores dos cursos de Engenharia de Pesca (do campus de Toledo), Agronomia (Marechal Cândido Rondon), Engenharia Agrícola e Biologia (Cascavel). Kuiava esclareceu que o Lago de Itaipu ‘‘oferece enorme potencial’’ para a pesquisa, que deve reverter em desenvolvimento material, científico e preservação ambiental.
O lago, formado por 29 bilhões de metros cúbicos de água, tem 1.460 quilômetros quadrados, contando o lado paraguaio, e apenas em território paranaense tem 835 quilômetros quadrados. Na região de Guaíra, chega à largura de 3 mil metros. As águas antes agitadas do Rio Paraná se tornaram calmas e alteraram a composição da ictiofauna. O dourado, por exemplo, que era símbolo do rio, é típico de águas agitadas. A indústria pesqueira ainda não apareceu, apesar do potencial existente.
Kuiava disse que a região do lago é estratégica e o próprio governo do Paraná está empenhado em chamar atenção internacional para ela, devido a possibilidade de investimentos na pesca, turismo e estruturas voltadas aos esportes náuticos. Um dos projetos é o ‘‘Costa Oeste’’, que tem entre os objetivos a dotação de infra-estrutura na região.

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