Josoé de CarvalhoAmeaça de foraDonizetti, da Batalha Moto-Táxi: ‘Eles formam um cartel mafioso’ Diante da polêmica sobre a implantação do serviço de moto-táxi em Londrina, surgem agora denúncias de que peruas também poderão vir a fazer serviço de transporte de passageiros nas linhas urbanas da Cidade e, também, intermunicipais, para Cambé e Ibiporã.
Este tipo de transporte, feito pelos chamados ‘‘perueiros’’ ou ‘‘kombeiros’’, já está operando há bastante tempo em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, competindo efetivamente com o transporte convencional de ônibus. Quem diz é Roberto Donizetti, sócio da Batalha Moto-Táxi, que se diz preocupado com a possibilidade de invasão dos perueiros em Londrina, vindos daquelas cidades, onde - segundo Donizetti - ‘‘formam um verdadeiro cartel mafioso’’.
‘‘Estão batendo em nós (moto-táxis) e as autoridades não fazem nada para impedir esta gente de se instalar aqui’’, diz Donizetti. Ele revela que diversos grupos cariocas e paulistas interessados em operar nesse tipo de transporte estiveram em Londrina. Teriam chegado até a falar com proprietários de táxis para viabilizar o negócio, envolvendo gente da própria Cidade. Donizetti conta que recebeu as informações sobre a vinda dos perueiros quando passou por São Paulo, e depois chegou a conversar com um deles aqui em Londrina. ‘‘Por intermédio de um amigo taxista, cheguei a conversar com um deles. Ele estava reservado, não falava muito, mas chegou a dizer que a praça de Londrina se enquadra perfeitamente à prática do transporte coletivo com peruas.’’
A Folha conseguiu falar com José Ávila dos Santos, um dos permissionários de linhas em São Paulo. Ele esteve na semana passada em Londrina e manteve contato com um proprietário de frota de táxis local (não revelou o nome) com o qual pretende se associar. ‘‘O esquema de peruas em Londrina tem que ser diferenciado das outras cidades, pois vai requerer uma prestação de serviço mais sofisticada’’, disse José Ávila à reportagem. ‘‘Em princípio, poderemos oferecer um transporte confortável para 11 passageiros sentados; com ar condicionado, mais rápido; com menor número de paradas e passagem com preço baixo em relação ao ônibus, que não oferece conforto.’’ Ele diz trabalhar no setor há mais de dez anos. Seu serviço está legalizado pela Prefeitura de São Paulo para operar em três linhas.
O empresário diz que muitas empresas de perueiros em São Paulo estão legalizadas mas a grande maioria ainda trabalha na clandestinidade. Ele afirmou que poderá trazer para Londrina uma frota com aproximadamente 20 peruas. José Ávila enfatiza que a Cidade proporciona uma operacionalidade de baixo custo, porque a maioria das ruas é asfaltada e as linhas têm percursos relativamente curtos. O empresário afirma que, por enquanto, não fez consultas à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) para saber da viabilidade do projeto, por achar ‘‘muito cedo’’. Ele não quis informar se os perueiros poderiam começar a trabalhar em Londrina na clandestinidade e depois legalizar a situação.
Para a empresa de transportes TIL, que possui a concessão das linhas Londrina, Cambé e Ibiporã, a entrada dos perueiros no sistema de transporte coletivo traria um verdadeiro caos ao setor. Eduardo Dias, um dos diretores da empresa, diz que não tem conhecimento dos perueiros na Cidade, mas poderia afirmar que eles não teriam êxito, ‘‘porque o povo da região é ordeiro e não aceitaria um serviço clandestino operando no transporte coletivo’’.
Outro aspecto que Dias destacou foi o vale-transporte, que os empresários da região fornecem a seus trabalhadores. ‘‘Na maioria das cidades que os perueiros operam, o trabalhador não recebe este benefício, o que favorece a entrada do transporte clandestino.’’
Dias também destaca a qualidade dos serviços do transporte coletivo de Londrina, segundo ele ‘‘um dos melhores do Brasil, o que não acontece nas cidades operadas pelo perueiros’’.
O setor de relações públicas da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) concorda com Eduardo Dias sobre a qualidade dos serviços, ‘‘principal fator que irá impedir a entrada dos perueiros no transporte coletivo da Cidade’’. A TCGL ressalta que os perueiros clandestinos não pagam impostos ou encargos e, portanto, não teriam responsabilidade social. A empresa diz que acredita no bom senso da Comurb em não aceitar esta situação irregular.
A diretora de operações da Comurb, Lúcia Brandão, afirma desconhecer qualquer pedido de perueros à companhia para operar no transporte coletivo da Cidade. Ela lembra que no ano passado o órgão foi contra um projeto elaborado na Câmara de Vereadores para veículos menores (peruas) também pudessem operar nas linhas de ônibus. ‘‘Os perueiros são tão ilegais quanto as moto-táxis que hoje estão operando na Cidade. Temos um bom serviço de ônibus e não existe nenhum motivo para aprovarmos um serviço paralelo.’’
O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, João Batista da Silva, se posiciona contra qualquer atividade clandestina no setor e acredita que Londrina não tem necessidade de outro tipo de transporte coletivo, porque ‘‘o atual oferece qualidade excelente’’. Ele diz que tomou conhecimento de grupos que estão se organizando para começar a operar na Cidade. E foi informado de que estão sendo feitas pesquisas junto à população para avaliar o grau de aceitação para esse tipo de serviço.

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