Perueiros acusam polícia de extorsão na fronteira
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Flávio Moura 
Cerca de 50 perueiros estão acusando a Polícia Civil de Foz do Iguaçu de ter montado um esquema de extorsão na fronteira do Brasil com o Paraguai. Segundo o grupo, os policiais mantêm informantes no lado paraguaio que indicam alguns dos veículos que transportam mercadorias de sacoleiros para que sejam abordados do lado brasileiro da fronteira. Os veículos mais visados seriam os que estão carregados de pacotes de cigarros e de equipamentos de informática.
Há muito tempo nós sofremos com isso, mas ultimamente a situação ficou insuportável, lembra um dos perueiros, que não quis se identificar, temendo represálias. O grupo explica que logo que atravessam a Ponte da Amizade, os policiais, que muitas vezes usam carros particulares, fazem a apreensão dos produtos comprados pelos passageiros. A partir daí, passam a negociar o pagamento de propina em mercadorias. O informante do lado paraguaio recebe em torno de 20% do valor da extorsão, revela outro perueiro. O trabalho do informante seria o de adiantar para os policiais brasileiros quais veículos que vão chegar com as cargas mais caras. Segundo o grupo, o esquema já está envolvendo policiais rodoviários federais e policiais militares.
A Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu garante que as acusações serão investigadas. Nossos homens mal têm tempo para a fiscalização de rotina, argumenta o inspetor Marcos Mallmann, que mesmo assim decidiu investigar a denúncia. Como o delegado-chefe Luis Carlos de Oliveira estava depondo ontem no Fórum de São José dos Pinhais no julgamento do Caso Evandro, a Polícia Civil de Foz do Iguaçu preferiu não se pronunciar sobre o caso.


