Perto das telas, longe da família
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sexta-feira, 05 de março de 2010
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Na casa da pedagoga Mari Clair Moro Nascimento, as filhas Isabela, 13, e Ana Luiza, 7, só podem ligar a televisão ou o computador depois de fazerem os deveres da escola e cumprirem as pequenas tarefas domésticas determinadas pela mãe, como arrumar o quarto e recolher a própria bagunça. Obrigações cumpridas, as meninas têm direito a passar uma hora em cada equipamento, sem possibilidade de tempo extra.
Apesar de ficarem parte do dia sozinhas, elas já se habituram às regras maternas e procuram outras ocupações para os períodos ociosos. O esquema adotado pela pedagoga, além de garantir o interesse das filhas por atividades diversas, ainda pode manter a proximidade da família.
De acordo com estudo divulgado pela publicação científica Archives of Pediatric and Adolescent Medicine, quanto mais tempo os adolescentes passam vendo televisão ou jogando em videogames ou computadores, mais distantes ficam de familiares ou amigos.
Ciente do risco imposto pelas tecnologias, Mari Clair orienta sobre o uso consciente da internet e oferece atividades como a prática de esportes ou cursos de línguas para ocupar o tempo das garotas e tirar a atenção das telas. ''É claro que tenho que controlar, ligar em casa e cobrar os limites. Caso contrário, elas ficam o dia inteiro na frente da TV ou do computador.''
Apesar de confessarem o apreço pelas tecnologias, Ana Luiza e Isabela já se habituaram à rotina definida pelos pais e garantem que não é difícil cumprir as regras. ''Nunca deixo de realizar outras atividades para ficar no computador'', conta Isabela, que gosta de sair com os amigos, nadar e ir ao cinema. ''Ela também gosta de ler os livros da série Crepúsculo'', completa a mãe, que incentiva a leitura como alternativa às outras mídias.
Ana Luiza, fã de personagens, jogos e histórias da Disney, não troca uma tarde brincando na casa das amigas pelas telas. ''Brincar é mais divertido'', diz a menina.
As duas garotas também são orientadas sobre o risco de encontrarem pessoas mal intencionadas na rede e já sabem que não podem aceitar convites de desconhecidos no Orkut ou no MSN.
Ana Luiza, que é mais nova, também não tem permissão para usar ferramentas de interação sem o acompanhamento dos pais ou da irmã mais velha. ''Ela só entra em sites de jogos que já conhecemos ou para fazer pesquisas'', contou Mari Clair.
Apreciador de novas tecnologias, o executivo Weber Guimarães transmitiu ao filho Leonardo, 11 anos, o gosto pelos videogames. ''Desde pequeno ele me acompanha nos jogos. É legal porque acaba nos aproximando. Até sinto falta quando não podemos jogar'', disse.
Apesar de também gostar das diversões eletrônicas, o pai sabe que o excesso de tempo em frente às telas pode causar prejuízos e, por isso, pede ao menino que controle as horas destinadas às partidas. ''Hoje em dia já não é mais preciso impôr limites. O próprio Leo se cansa e vai fazer outras coisas, como jogar futebol.''
Conforme Guimarães, o segredo para conseguir o entendimento do filho com relação ao uso consciente das tecnologias está nas conversas sobre os motivos da limitação dos jogos. ''Ele aceita porque entende as explicações.''


