O transporte de ônibus coletivo em Londrina pode parar caso não avancem as negociações entre Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte Rodoviários de Londrina (Sintrol) e o sindicato patronal, representante das duas permissionárias que operam o serviço na Cidade. A data-base da categoria é julho mas até agora nenhum acordo foi fechado. Amanhã haverá uma nova rodada de discussão, no Ministério do Trabalho, e o sindicato dos empregados pretende convocar em seguida assembléia para informar os resultados da reunião à categoria e finalmente tomar uma posição.
‘‘A perspectiva é que vai haver greve’’, aposta o presidente do Sintrol, Evanildo Pinto Rodrigues. Segundo ele, o que as duas empresas - Francovig e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) - ofereceram até agora só piora a situação dos trabalhadores: 5% de reajuste, aumento na jornada de trabalho de seis horas para 6h50 e diminuição do anuênio de 2% para 1%.
Além disso, diz o presidente do Sintrol, as empresas propuseram alterar o sistema de horas extras, fazendo compensação mensal e não diária. Ou seja, hoje, quando o trabalhador ultrapassa as seis horas diárias, as horas extras são lançadas imediatamente; com a alteração, as empresas vão somar no final do mês quanto o empregado trabalhou no período e lançar, como crédito adicional, somente o que ultrapassar a carga mensal de trabalho.
Rodrigues aponta que a alteração vai diminuir a possibilidade de o trabalhador aumentar a renda familiar. ‘‘Existe um clima de revolta na categoria, que não entende como as empresas conquistaram 25% de reajuste nas tarifas e agora querem dar apenas 5%. Desse jeito não tem negociação’’, critica Rodrigues.
A proposta dos trabalhadores é um mínimo de 15% de aumento salarial, sem abrir mão dos 2% de anuênio e da jornada de seis horas. Além disso, o sindicato quer assinar um contrato coletivo ‘‘por arbitragem’’, e não o tradicional como é feito atualmente. Segundo Rodrigues, a mudança criará cláusulas vitalícias, que só poderão ser alteradas com a aceitação das duas partes. ‘‘Acredito que os patrões tenham medo disso, porque significa tirar a pressão das cabeças dos funcionários’’, afirma Rodrigues.
O Metrolon - Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina - esclareceu ontem que a convenção coletiva da categoria vence apenas em junho de 98. O que está sendo negociado agora, informa o sindicato, seriam apenas as cláusulas econômicas, ou salariais.
Segundo a entidade, o sindicato dos trabalhadores apresentou na pauta de reivindicação um aumento de 100% do INPC (Índice Nacional dos Preços ao Consumidor), o que daria um reajuste de pouco mais de 8% nos salários. Esse aumento, adiantou ontem o Metrolon, será concedido na íntegra aos trabalhadores, sem mudança do acordo coletivo, e comunicado na reunião de amanhã. Por isso, acrescenta, a proposta de greve é ‘‘injustificada’’.
O sindicato que representa as empresas informou ainda que durante as negociações chegou-se realmente a cogitar alterações na convenção coletiva. Mas, com a nova posição das empresas em aceitar o índice apontado pelos empregados, essa discussão estaria encerrada.
A Folha não encontrou ontem diretores da Francovig ou da TCGL para comentar as críticas do Sintrol às negociações salariais.

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