Com tantas publicações e programas especializados, manter uma atividade física regular se tornou hábito necessário. Além da boa forma, os exercícios oferecem ganhos para a saúde e bem-estar. Mas quando essa atividade é realizada de forma incorreta, sem acompanhamento profissional, o que seria um benefício pode se transformar em problema.
Segundo o presidente da Associação de Personal Trainer de Londrina (APTL), Cristian Franco, existem na cidade dezenas de pessoas oferecendo o serviço sem a capacitação adequada. ''São alunos de educação física que ainda não se formaram, ex-atletas e profissionais das áreas de nutrição, fisioterapia e até fonoaudiologia que trabalham como personal e atuam de forma ilegal. Eles não têm registro junto ao Conselho Regional de Educação Física (Cref) e, de acordo com a lei, apenas profissionais dessa área podem atuar como personal trainer'', garante.
Ele afirma que os riscos para a saúde dos alunos é grande quando uma pessoa não habilitada se aventura em realizar esse tipo de trabalho. ''Sabemos que cerca de 30 pessoas atuam ilegalmente hoje em Londrina. Eles trabalham muitas vezes com diabéticos, hipertensos e portadores de problemas de coluna e postura. Exercícios físicos malfeitos podem piorar o problema desses alunos'', alerta. Segundo ele, em Londrina são cerca de 50 profissionais atuando na legalidade.
Mesmo alunos que não apresentam doenças ou desvios posturais também podem ser prejudicados por exercícios físicos feitos de forma incorreta. ''A dor muscular que acontece depois da musculação, por exemplo, é normal. Mas a dor articular, e mesmo a muscular, contínua é sinal de problema. Ela pode se tornar uma tendinite e limitar os movimentos da pessoa, além de causar muita dor e incômodo'', diz Franco.
''Já recebi alunos bastante lesionados por professores não capacitados. Dependendo da situação, é possível reverter o quadro, mas isso pode levar meses de fisioterapia e de exercícios físicos. Alguns casos apresentam complicações para sempre. Outra reclamação dos alunos é de professores que paqueram os alunos e não agem com ética, o que afeta a imagem de toda a classe'', garante.
O Cref é o órgão responsável pela fiscalização, mas apenas um fiscal trabalha na região de Londrina e a falta de recursos dificulta o serviço. Franco lembra que antes de contratar os serviços de um personal é importante observar certos detalhes e estar sempre atento ao trabalho realizado. ''O profissional precisa saber explicar tecnicamente uma possível dor e se mostrar capaz de alterar exercícios de acordo com a necessidade e capacidade de cada um'', diz.
Para quem quer fazer exercícios físicos e não pode pagar um personal habilitado, ele recomenda as academias. ''É melhor fazer aula em grupo do que com uma pessoa que não sabe o que está fazendo. Numa academia existe o professor que acompanha o aluno, evitando que ele force demais nos exercícios. Por isso os riscos são menores'', explica.
Caso seja provado que uma pessoa não capacitada está oferecendo trabalho de personal trainer e ela for condenada, a pena pode ser de três meses a um ano de prisão, além de multa. As denúncias podem ser feitas na Associação de Personal Trainer de Londrina pelo telefone (43) 9941-9445.

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