Uma das histórias que mais marcaram José Makiolke no rádio, na época da radionovela, foi quando ele fazia um ‘‘Preto Velho’’. No meio da trama, o personagem começou a apanhar muito do benfeitor, para que revelasse um segredo envolvendo a ‘‘Tiazinha’’.
Até que certo dia uma senhora negra, idosa, foi até a emissora querendo falar com o Preto Velho. Ela queria ajudar o personagem, incentivando-o a não revelar o tal segredo. Mas ao invés de conhecer um senhor negro e velho, acabou encontrando um rapaz branco e moço.
‘‘Ela não acreditou que eu fosse o Preto Velho e insistiu em falar com ele. Até que eu comecei a falar com a voz do personagem. Ela ficou muito brava, disse que era mentira e queria saber por que tentavam enganá-la. Para ela, o Preto Velho existia, e eu acabei destruindo essa ilusão. A senhora voltou para casa decepcionada’’, lembra Zezão. ‘‘Isso me marcou muito porque me deu a verdadeira dimensão do poder do rádio.’’
Outras histórias, tristes e engraçadas, foram acumulando na carreira de José Makiolke. Na televisão, ele começou antes do videotape, quando os comerciais ainda eram feitos ao vivo. Num desses comerciais, tinha que apresentar a ‘‘Dobramatic’’, uma bicicleta que dobraria com um ‘‘leve toque’’.
‘‘O problema é que a bicicleta emperrou e não dobrava de jeito algum’’, recorda Zezão. O ‘‘leve toque’’, bordão diversas vezes repetido durante o comercial, acabou virando uma força desmedida, acompanhada de suor frio e sorriso amarelo. E nem assim a bicicleta dobrava. ‘‘Até que não aguentei e dei uma porrada na bicicleta. Aí desdobrou. Foi tudo para o ar’’, lembra. (L.H.)

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