O oficial do Cartório de Registro Civil (1º Ofício), Eduardo Marques de Souza, afirma que em Londrina, onde são registradas cerca de sete mil crianças por ano, os nomes são mais tradicionais. Ele esclarece que os oficiais, no momento do registro, somente podem intervir se o nome escolhido for expor a criança ao rídiculo, conforme determina o Código de Normas e a Lei de Registros Públicos.
O oficial admite que muitos pais, no momento de determinar o nome da criança, são influenciados pelas novelas. ''Sempre aparecem nomes dos personagens principais'', coloca.
Com mais de 40 anos de experiência na área, o titular do Cartório de Registro Civil (2º ofício), Marcelo Julião, concorda com a influência das novelas na escolha dos nomes e lembra que os nomes bíblicos nunca saem de moda. ''Até hoje esses nomes predominam.''
Questionado sobre a conduta do oficial diante de um nome muito diferente, Julião explica: ''Nesses casos suscita-se dúvida ao juiz da vara de registro público. Já aconteceu de o juiz não aceitar determinados registros. A criança não deve ser exposta ao ridículo.'' O oficial ressalta que o registro de nascimento é gratuito e pode ser realizado na cidade onde a criança nasce ou onde os pais residem.
A psicóloga Camila Sudo, especialista em análise do comportamento, afirma que o nome, assim como outras características pessoais, faz parte da identidade do indivíduo. Ela explica que os pré-julgamentos acerca de determinado nome podem influenciar o comportamento, bem como suas relações interpessoais, que, de acordo com Camila, são fundamentais no desenvolvimento da personalidade, autoestima e autoconfiança.
''Quando uma característica pessoal, inclusive o nome, foge muito do padrão esperado, a pessoa 'sofre' com um processo de adequação'', coloca a psicóloga, ressaltando que para minimizar essa situação a pessoa deve viver em ambientes que levem ao fortalecimento da autoestima e autoconfiança. Além disso, segundo Camila, a família, o círculo de amizades e as habilidades sociais são fatores imprescindíveis para lidar bem com as situações de chacotas e humilhações. (P.C.B.)

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