Perry toma posse na Cohab. E quer solucionar ocupações
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sábado, 11 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Paulo WolfgangTransmissão de cargoWilson Sella (à esquerda) cumprimenta o seu sucessor na presidência da Cohab, José Caetano Perry
O presidente da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, José Caetano Perry, tomou posse ontem pedindo tempo para solucionar o que considera um grande desafio - o problema das ocupações em fundos de vales na Cidade. O diretor-financeiro, Paulo Roberto Franzon, e o diretor-técnico, Heleno Solano Rabello, também foram empossados. O diretor-administrativo, Fernando Barros, toma posse na segunda. A cerimônia foi na sede da Cohab com a presença do ex-presidente Wilson Sella, o secretário de Administração, Moysés Leônidas (representando o prefeito Antonio Belinati), deputado federal José Janene (PPB), vereador Orlando Bonilha (PDT), e o presidente do Conselho de Administração da Folha de Londrina, João Milanez.
O primeiro contato de Perry com os sem-teto de Londrina foi na quinta-feira. Ele conversou com um grupo de 150 pessoas na Prefeitura. Além da promessa de um estudo de viabilização, Perry agendou uma reunião com as lideranças do movimento na sexta-feira.
Segundo informações dos próprios sem-teto, Perry afirma que hoje são entre 800 e 1.000 famílias morando irregularmente em fundos de vale por falta de habitação. Precisamos de tempo para encontrar uma saída e oferecer algo em troca, afirma o novo presidente da Companhia de Habitação.
Outro grande problema da Cohab é a dívida junto à Caixa Econômica Federal (CEF) que começou a ser rediscutida esta semana entre o Município e o presidente da CEF, Sérgio Cutolo, em uma reunião em Brasília. Estamos começando a entender toda a situação econômica da Cohab para fazermos uma proposta de renegociação da dívida.
A dívida total é de R$ 194 milhões. As parcelas já vencidas somam mais de R$ 20 milhões. Numa primeira negociação, na administração passada, a dívida foi dividida em 110 parcelas. No acordo, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) entrou como garantia. Na reunião da semana passada conseguiu-se o desbloqueio do FPM. A primeira retenção do FPM seria 15 de janeiro. Com a liberação já conseguiremos acertar a folha de pagamentos dos funcionários que está atrasada, diz Perry. Precisamos resolver a dívida para voltarmos a produzir moradia em Londrina.
A troca de presidentes na Cohab deixa um desencontro de informações. Enquanto Perry afirma que a inadimplência junto à CEF resultou na perda de um lote de 1.300 casas no início de dezembro, o ex-presidente da Cohab, Wilson Sella, assegura que o processo de negociação das moradias ainda deve ser fechado. Este lote de casas não foi perdido porque o processo ainda não terminou, garante Sella. O ex-presidente afirma ainda que a Cohab-Ld está apta a receber novos recursos. Segundo Sella, depois de uma perícia que está sendo concluída, a dívida de mais R$ 20 milhões deve ser fechada em cerca de R$ 16 milhões. O pagamento das parcelas atrasadas não foi feito enquanto se fechava os valores reais. Temos R$ 4 milhões em haver e deve ser feito um encontro de contas.


