Peroba centenária é cortada no campus da UEL
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segunda-feira, 04 de março de 2013
Agência UEL 
Apesar da necessidade comprovada, o corte de uma das perobas centenárias do Campus Universitário da Universidade Estadual de Londrina neste final de semana (dias 2 e 3 de março) dará início e/ou continuidade a projetos de pesquisas realizadas em pelo menos dois Centros de Estudos e um curso da UEL: os centros de Ciências Biológicas e de Agrárias e ao curso de História. Além disso, como não foi erradicada, já que sua raiz, vegetação de entorno e mais de 1,5 metro de seu tronco foram preservados, também sua história será preservada como parte do patrimônio cultural do Campus da UEL.
Programada para ser cortada ainda no final do ano passado, quando foram finalizados todos os laudos técnicos que, lamentavelmente, comprovaram que a árvore símbolo da UEL estava condenada pela perda de seu processo de competição e de capacidade de absorção de matéria orgânica, pesquisadores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA) e da Universidade observaram a presença de grande quantidade de abelhas, tanto colméias de espécies nativas da região (Jataí, Indígenas), como das africanizadas, em diversos dos galhos e em boa parte de seu tronco oco.
Por isso, o corte da árvore registrada como a de número 100 no catálogo de identificação de plantas do Campus, foi feito em etapas, numa mega operação de final de semana, visando a segurança de prédios, rede de alta tensão e de pessoas, e levou dois dias para ser realizado. Além de uma equipe formada por servidores da Prefeitura do Campus (PCU), dois caminhões Munck, com braços hidráulicos com grande capacidade de carga e plataformas que pudessem atingir uma altura de até 40 metros foram contratados para a operação.
No sábado (2), acompanharam os trabalhos para a remoção das abelhas (e depois para os cuidados para o destino correto das espécies) dois professores do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da UEL: o pesquisador e especialista em Entomologia João Antônio Zequi, que no período da manhã e boa parte da tarde cuidou pessoalmente de todos os detalhes relacionados a retirada das abelhas africanizadas, espécie de diversos de seus projetos; e o também pesquisador e especialista na área de Ecologia de Abelhas, Edson Proni, que até a manhã deste domingo (3) ainda participava dos trabalhos para a retirada e deslocamento das Abelhas Trigonas, conhecidas popularmente como Indígenas. Como seu mel tem alto grau bactericida, esta espécie já é elemento de pesquisa do professor Proni há alguns anos na UEL, em estudos que viabilizarão a produção de antibióticos naturais um dos produtos já está para ser patenteado e diversos outros estudos, a partir desta retirada serão realizados especificamente também com o pólen destas abelhas.
Estudantes e professores da área de Ciências Agrárias também passarão a estudar o microsistema do solo do local (em frente a Cops) e, uma professora do curso de História já solicitou um corte detalhado da parte inferior do tronco para análise da idade da espécie. Um dos mestrandos do CCA, José Marcelo Molina, que já escalou praticamente todas as árvores do Campus em busca de espécies raras de orquídeas, também esteve neste domingo (3), aguardando os galhos com touceiras da planta para realizar a coleta e classificar as espécies contidas nesta peroba rosa, que também integra um trabalho de conclusão de curso (TCC) de uma das alunas de graduação da UEL.
Diversos outros projetos também já estão sendo encaminhados por professores e sugeridos por estudantes, inclusive para trabalhos em marcenaria e mobiliário, para que esta peroba permaneça, definitivamente, ocupando outros espaços de pesquisas e proporcionando conhecimento histórico e científico a toda a comunidade universitária. A madeira da velha árvore, por exemplo, deverá ser beneficiada e posteriormente vai para Divisão de Produção e Apoio da Diretoria de Projetos, Obras e Manutenção. A proposta é utilizar o material nobre visando inovações e troca de parte do mobiliário da UEL.
Além do plantio de quase 30 mudas de peroba como compensação a este corte, o replantio de exemplares desta e de outras espécies cultivadas no viveiro da UEL, continua a ser realizado sistematicamente pela Universidade que amplia, anualmente, o Bosque Perobal, localizado nas proximidades do Restaurante Universitário (RU) e os jardins do Campus. Segundo a Divisão de Jardinagem da PCU, o Campus Universitário abriga hoje, ainda 14 exemplares de peroba rosa, que literalmente resistem ao tempo.


