Permuta de livros está proibida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
A secretária municipal de Cultura, Angela Farah Marçal, assinou ontem resolução proibindo a Biblioteca Pública Municipal (BPM) de fazer qualquer tipo de descarte ou permuta de livros. A resolução prevê ainda o recolhimento dos livros de registro onde estão anotadas todas as permutas realizadas pela Biblioteca. Os registros já estão em meu poder.
A secretária atendeu pedido verbal do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti. A medida deverá vigorar até que sejam esclarecidos a legalidade e os critérios da permuta de livros feita pela Biblioteca.
As medidas são uma reação à denúncia do professor de História Carlos Yohio Okawati. Segundo Okawati, livros doados para a BPM foram comercializados pela livraria Lido. Um de seus alunos comprou, nesta livraria, um dos 3.040 volumes doados por Okawati à Biblioteca Municipal. A denúncia gerou, na última sexta-feira, o confisco de 18 livros que tinham o carimbo da Biblioteca.
O inquérito administrativo que vai apurar o caso das permutas, no entanto, só deverá ser aberto no início da próxima semana. Galatti informou ontem que até segunda-feira a Secretaria deverá receber documento determinando a abertura do inquérito. Precisamos esperar a determinação oficial, disse Angela Marçal. Ela acha que ainda é cedo para qualquer tipo de julgamento.
As permutas, disse a secretária, vêm acontecendo desde 1990 e são encaradas como um procedimento normal pelas bibliotecárias e a direção da Biblioteca. A Biblioteca Pública do Paraná e outras bibliotecas consultadas confirmaram que utilizam o mesmo procedimento.
Angela Marçal explicou que a permuta é definida logo após a doação dos volumes, quando os exemplares são catalogados. Segundo ela, em conversa informal com as bibliotecárias, elas explicaram que só colocam para permuta os títulos que já existem em quantidade suficiente ou que não têm procura. A permuta visa sempre a troca por exemplares procurados. O descarte só acontece quando os livros estão com fungos.
A proprietária da Livraria Lido, Elizabeth Camargo da Silva, informou que a livraria mantém permutas ocasionais com várias bibliotecas públicas e particulares. Se o procedimento é incorreto, cabe ao órgão público esclarecer e corrigir a situação. Somos um estabelecimento comercial sério e idôneo e sempre aceitamos a permuta com a Biblioteca Pública acreditando ser um procedimento legal.


