O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Galdino Andrade, pós-doutor em ecologia do solo, considera a obrigatoriedade de faixas de permeabilidade nas calçadas do quadrilátero central como um ganho ambiental importante para o município. Segundo ele, a faixa de drenagem da água de chuva pelo solo previne diversos problemas ambientais, principalmente a redução da recarga de água dos lençóis freáticos e, consequentemente, da umidade das camadas mais profundas do solo. O resultado é a interferência na manutenção da qualidade dos leitos de rios da cidade e do Rio Tibagi.
''Sem essa área de permeabilidade, a recarga do rio irá diminuir consideravelmente. Um exemplo disso é o caso ocorrido no Parque do Ingá. Quando ele foi idealizado existiam olhos d'água na região que jorravam água e alimentavam o lago. Hoje, o lago está secando devido impermeabilização das bacias de drenagem, que eram a área de recarga desses olhos d'água. O ribeirão secou porque Maringá não tem uma legislação como essa'', avalia.
De acordo com Galdino, somente por meio do entendimento da importância das áreas de permeabilidade para os rios, a antiga e popular concepção de que terra, grama e folhas são sujeira será abandonada.''Nós sabemos que o sonho de toda dona de casa é ter um fundo de quintal todo ladrilhado, porque não vai empoeirar a roupa no varal, o cachorro não vai sujar dentro de casa e o filho não vai sujar a roupa brincando. Mas é preciso que se observe as consequências que todo esse calçamento trará para o meio ambiente e para o homem'', enfatiza.
Ele explica ainda que a drenagem da água de chuva evita as famosas enxurradas, que acabam provocando as enchentes.''Aumentando a área de permeabilidade, você vai diminuir as enxurradas e prevenir a ocorrência de acidentes ambientais, como as enchentes'', explica. ''Apesar de Londrina ainda não ter problemas como este, sempre existe o risco diante de todo lixo que escoa para os bueiros, juntamente com a chuva, e acaba nos fundos de vales e rios'', aponta.
O ecologista complementa que, apesar da obrigatoriedade da faixa de permeabilidade, o município ainda precisa avançar no planejamento do plantio de árvores, que têm papel fundamental na filtragem de gás carbônico e na sensação de refresco da temperatura. ''É preciso que entendamos que a árvore é um ar-condicionado natural. Ela representa qualidade de vida diante do cenário de aquecimento global que vivenciamos hoje. Uma área coberta por árvore tem uma diminuição da temperatura em pelo menos 5 graus'', explica.(F.C.)

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