Permanência de índios na Cidade será limitada
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Lucília Okamura 
Limitar o número de famílias e o tempo de permanência dos índios que vêm à Cidade vender artesanato. Essa é uma das decisões tomadas por lideranças indígenas das cinco reservas do Norte do Paraná, durante reunião realizada ontem à tarde na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), na área central. A reunião foi convocada pela administração do órgão para discutir os problemas acarretados pela permanência prolongada dos índios em acampamentos na área urbana.
O administrador da Funai, Joventino Domingos Aco, explica que um dos grandes motivos para a convocação da reunião foi o assassinato do caingangue Paulo Xavante, 28 anos, ocorrido no início do mês passado, no acampamento localizado na Via Expressa (avenida Dez de Dezembro), na zona sul. Joventino Aco observa que, a partir de agora, será reforçado o uso da portaria, uma espécie de documento emitido pelo cacique da reserva à família que quer vir a Londrina vender artesanato. Na portaria, consta o número de dias (no máximo 10) que o índio pode ficar na cidade. O documento deve ser apresentado ao cacique quando ele voltar para a reserva. O administrador revela que essa prática estava esquecida ultimamente.
Além disso, as lideranças indígenas decidiram proibir a vinda de crianças em idade escolar (de cinco a 14 anos) e limitar para cinco famílias de cada vez a estadia na cidade. Esta limitação é destinada especificamente à reserva de Apucaraninha, localizada em Tamarana, de onde sai a maior parte das famílias que vêm vender artesanato. Joventino Aco observa que isso ocorre porque a reserva é a mais próxima de Londrina e também por abrigar o maior número de índios (934).
Outro ponto discutido durante a reunião foi a doação de alimentos e até de móveis usados que a população faz aos índios acampados. Segundo o secretário do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Albani Jacinto, a doação faz com que os índios se acostumem a ficar na cidade. Eles acham que ficar em Londrina é bom porque aqui recebem das pessoas, observa. Ele diz que isso faz com que as pessoas que estão na reserva também queiram abandoná-la. Joventino Aco ressalta não ser contra as doações, desde que encaminhadas ao escritório da Funai ou às reservas.
Ontem, os líderes índigenas assinaram o termo de compromisso contendo as medidas que serão tomadas a partir de agora. Além disso, eles irão conversar com os índios para tentar conscientizá-los sobre a importância de viver na reserva. O chefe do posto de Apucaraninha, Nazareno Marcolino, acredita que, com a colaboração de todos, as medidas surtirão efeito. Participaram da reunião representantes das reservas de São Jerônimo da Serra, Barão de Antonina, Laranjinhas, Pinhalzinho e Apucaraninha.


