Permanece na UTI bebê que ingeriu crack
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Apucarana - Permanece internada inconsciente e respirando por aparelhos a criança de um ano e nove meses que ingeriu pedras de crack na madrugada de quinta-feira, no Jardim Mercadante, em Apucarana (Norte). Médico explica que casos de ingestão de drogas por crianças são isolados, mas acontecem, principalmente com o crack e a cocaína.
Segundo o delegado chefe da Polícia Civil da cidade, Valdir Abrahão, a mãe do bebê é uma adolescente de 17 anos, que havia hospedado uma amiga em casa. Durante a madrugada a amiga estaria consumindo drogas na sala e foi ao banheiro, deixando as pedras de crack ao alcance da criança.
''Segundo a mãe, ela acordou com os gritos dessa amiga que se desesperou ao ver que a criança estava passando mal após ingerir a droga. O socorro foi chamado e o bebê foi levado em estado grave para a UTI do Hospital da Providência Materno Infantil de Apucarana'', explicou o delegado.
De acordo com Abrahão, a adolescente disse que não é consumidora de drogas e teria afirmado não saber o nome nem endereço dessa amiga. ''É uma situação no mínimo estranha você hospedar alguém nessas condições. Há cerca de dois meses o marido dessa adolescente, pai do bebê, foi morto por traficantes na porta de casa, em disputa por território da venda de drogas'', contou o delegado.
Denúncias
O juizado da Vara da Infância e Juventude já foi notificado e a mãe corre o risco de perder a guarda da criança. Abrahão afirmou que nunca havia atendido caso parecido em sua carreira e que o crack em Apucarana, como em outros centros, representa um sério problema. ''A maior parte dos presos aqui, cerca de 70%, têm relação com o tráfico de drogas, principalmente as mulheres.''
O tenente Hericson Augusto Cruz, oficial da Comunicação Social do 10º Batalhão em Apucarana ressaltou que diariamente a Polícia Militar apreende drogas e efetua prisões de traficantes e usuários, sejam do município ou que estavam de passagem.
''Chegamos até esses traficantes graças à denúncias da população e também à investigação do nosso serviço reservado. É importante ressaltar que o crack antes era restrito às classes mais baixas e agora está sendo consumido até por pessoas da elite'', explica o tenente. Se acordo com ele, o preço e a facilidade de compra facilitam a popularização dessa droga.
Monitorar
De acordo com Alessandro Sella de Godoy Bueno, assessor de urgência e emergência da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, os casos envolvendo a ingestão de drogas por crianças são isolados, mas acontecem, principalmente com o crack e a cocaína.
''Há pouco tempo tivemos um caso de ingestão de cocaína em Londrina. Isso acontece mais nas comunidades mais carentes, quando os pais estão manipulando a droga e se descuidam. As crianças sofrem as maiores intercorrências com medicamento e drogas por falta de cuidado dos pais e cuidadores. Há necessidade de monitorização constantes das crianças no lar, principalmente das pequenas que ainda estão descobrindo o mundo e levam tudo à boca'', alerta o médico.
Segundo Bueno, que também atua nos plantões na cidade vizinha, o bebê de Apucarana apresentou agitação psicomotora, distúrbio do comportamento e irritabilidade e poderia ter sofrido uma overdose. ''Como o socorro foi chamado pelo menos duas horas após a ingestão, a droga já estava em circulação no organismo, por isso não foi possível fazer limpeza gástrica nem tentar absorver o produto. Os médicos estão atuando com medidas de suporte.''
O médico explica que em caso de ingestão de drogas como crack e cocaína os sintomas podem ser alteração do nível de consciência, sudorese, palidez, aumento da frequência cardíaca, irritabilidade, arritmia e alteração de pressão.


