Curitiba - De acordo com o delegado no Paraná da Associação Nacional de Médicos Peritos, Shil Vumszdern, não há qualquer interferência da Previdência Social para a concessão ou não dos benefícios. O médico, que trabalha há 33 anos no órgão, diz que os peritos têm total autonomia e afirma que a profissão não é fácil e, muitas vezes, incompreendida. "Esse trabalho é muito difícil porque nós temos que julgar a incapacidade. É uma atividade complexa, mas nós tentamos fazer o melhor possível pelo usuário", diz.
Além dessa dificuldade, ele diz que um grande problema seria a ineficiência do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, a ausência ou demora no atendimento de especialistas e na realização de exames acaba retardando o retorno do usuário ao mercado de trabalho e onerando a sociedade. "O segurado que podia ser devolvido ao trabalho em 20 dias acaba levando três a quatro meses devido ao atendimento inadequado", diz.
A ineficiência do SUS também dificultaria o momento da perícia, uma vez que os subsídios para a avaliação poderiam ser melhores. De acordo com o médico, uma integração maior entre o trabalho do perito e o atendimento da área de saúde traria benefícios a toda a sociedade, além de facilitar a avaliação do momento do retorno ao trabalho.
Shil afirma que há um compromisso por parte dos peritos com a saúde e não com o número de benefícios indeferidos. "A gente tenta fazer o melhor possível. Como médicos, a nossa intenção é de preservar a saúde. Fizemos um juramento e procuramos cumpri-lo com muita ética", conta.
A FOLHA procurou o Ministério da Saúde, para comentar as reclamações do perito sobre o SUS, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. (K.L.M.)

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