Peritos intensificam análise de provas
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Seis equipes de peritos do Instituto de Criminalística de Londrina (ICL) devem permanecer durante todo o final de semana analisando todos os vestígios deixados pelo grupo armado que na quarta-feira assaltou e sequestrou o vôo 280 da Vasp.
São oito peritos divididos entre análises químicas e de microanálise, que trabalham com a caracterização das impressões digitais deixadas na Ranger que teria sido usada na fuga e na aeronave, dos objetos e de um fio de cabelo (sem raiz, o que diminui muito a possiblidade de se determinar o DNA) encontrado no carro; na documentoscopia, que analisará os documentos encontrados no porta-luvas da Ranger; na balística, que estudará o trajeto e a procedência da única bala disparada na ação (pouco antes do desembarque em Porecatu, houve um disparo acidental na cabine do Boeing); a localística e a análise de veículo.
Segundo Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, chefe-adjunto do ICL, os resultados de todos os laudos devem sair apenas na quarta-feira. É muito material. Na segunda-feira de manhã deveremos ter uma reunião para cruzar as informações apuradas, disse.
Os laudos serão entregues à Polícia Federal, que agora centraliza as investigações nas delegacias de Foz do Iguaçu, Londrina e Curitiba. O inquérito instaurado pela Polícia Civil de Porecatu investiga apenas o roubo do revólver calibre 38 do vigilante do hangar de aviação agrícola, Sebastião Morais da Silva, rendido pela quadrilha logo após o desembarque no aeroporto local.
Ontem, uma emissora de rádio de Londrina veiculou uma versão para a fuga dos assaltantes a partir do aeroporto de Porecatu, com base no testemunho de um morador de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), município vizinho. De acordo com esta versão, depois que abandonaram a Ranger, os seis integrantes da quadrilha se dividiram.
Quatro deles teriam embarcado em um bimotor numa pista clandestina nos arredores da PR-450. Os outros dois teriam fugido em outro carro e se dirigido a uma chácara no município de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina). De lá, usaram um terceiro veículo e desapareceram.
Na quinta-feira, o delegado de Porecatu, Márcio Vinicius Ferreira Amaro, disse à Folha que foram investigadas pelo menos quatro pistas de pouso clandestinas. Nenhuma delas parecia suspeita.
O despachante Nelson Pinto Dias, de Paranavaí, não conseguiu guardar o nome e os dados do homem que na última terça-feira comprou a caminhonete Ranger, branca, ano 94, por R$ 13,5 mil à vista, que foi usada na fuga. Segundo Dias, na terça-feira pela manhã, um homem ligou interessado na caminhonete.
Dias descreveu o homem como sendo moreno claro, magro, entre 25 a 28 anos de idade e de estatura média. Ele utilizava óculos de grau e aparentava ser uma pessoa educada, tranquila e sem pressa, conforme o despachante. Às 13 horas, o homem verificou a Ranger, deu uma volta e deixou um sinal de R$ 1,5 mil. Às 19 horas, trouxe o dinheiro e levou o veículo.
O despachante contou que não estranhou o fato dele pagar em notas porque a condição era à vista. Para evitar a CPMF e calotes a compra e venda de veículos se faz no dinheiro vivo, acrescentou Dias. A caminhoneta pertencia ao filho de Dias há um ano. (Colaborou Marta Medeiros)


