Seis equipes de peritos do Instituto de Criminalística de Londrina (ICL) devem permanecer durante todo o final de semana analisando todos os vestígios deixados pelo grupo armado que na quarta-feira assaltou e sequestrou o vôo 280 da Vasp.
São oito peritos divididos entre análises químicas e de microanálise, que trabalham com a caracterização das impressões digitais deixadas na Ranger que teria sido usada na fuga e na aeronave, dos objetos e de um fio de cabelo (sem raiz, o que diminui muito a possiblidade de se determinar o DNA) encontrado no carro; na documentoscopia, que analisará os documentos encontrados no porta-luvas da Ranger; na balística, que estudará o trajeto e a procedência da única bala disparada na ação (pouco antes do desembarque em Porecatu, houve um disparo acidental na cabine do Boeing); a localística e a análise de veículo.
Segundo Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, chefe-adjunto do ICL, os resultados de todos os laudos devem sair apenas na quarta-feira. ‘‘É muito material. Na segunda-feira de manhã deveremos ter uma reunião para cruzar as informações apuradas’’, disse.
Os laudos serão entregues à Polícia Federal, que agora centraliza as investigações nas delegacias de Foz do Iguaçu, Londrina e Curitiba. O inquérito instaurado pela Polícia Civil de Porecatu investiga apenas o roubo do revólver calibre 38 do vigilante do hangar de aviação agrícola, Sebastião Morais da Silva, rendido pela quadrilha logo após o desembarque no aeroporto local.
Ontem, uma emissora de rádio de Londrina veiculou uma versão para a fuga dos assaltantes a partir do aeroporto de Porecatu, com base no testemunho de um morador de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), município vizinho. De acordo com esta versão, depois que abandonaram a Ranger, os seis integrantes da quadrilha se dividiram.
Quatro deles teriam embarcado em um bimotor numa pista clandestina nos arredores da PR-450. Os outros dois teriam fugido em outro carro e se dirigido a uma chácara no município de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina). De lá, usaram um terceiro veículo e desapareceram.
Na quinta-feira, o delegado de Porecatu, Márcio Vinicius Ferreira Amaro, disse à Folha que foram investigadas pelo menos quatro pistas de pouso clandestinas. Nenhuma delas parecia suspeita.
O despachante Nelson Pinto Dias, de Paranavaí, não conseguiu guardar o nome e os dados do homem que na última terça-feira comprou a caminhonete Ranger, branca, ano 94, por R$ 13,5 mil à vista, que foi usada na fuga. Segundo Dias, na terça-feira pela manhã, um homem ligou interessado na caminhonete.
Dias descreveu o homem como sendo moreno claro, magro, entre 25 a 28 anos de idade e de estatura média. Ele utilizava óculos de grau e aparentava ser uma pessoa educada, tranquila e ‘‘sem pressa’’, conforme o despachante. Às 13 horas, o homem verificou a Ranger, deu uma volta e deixou um sinal de R$ 1,5 mil. Às 19 horas, trouxe o dinheiro e levou o veículo.
O despachante contou que não estranhou o fato dele pagar em notas porque a condição era à vista. ‘‘Para evitar a CPMF e calotes a compra e venda de veículos se faz no dinheiro vivo’’, acrescentou Dias. A caminhoneta pertencia ao filho de Dias há um ano. (Colaborou Marta Medeiros)

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