Teve início ontem e prossegue até a próxima sexta-feira o 17º Congresso Nacional de Criminalística. Realizado no Hotel Sumatra, região central de Londrina, o evento (de periodicidade bienal) é levado pela primeira vez a uma cidade de interior. ''Nossa idéia era 'interiorizar' o Congresso. O Paraná, especialmente Londrina, tem se destacado como um pólo da área'', comenta o presidente do evento, Humberto Jorge de Araújo Pontes.
Após o coquetel de abertura, ontem à noite, hoje começam as palestras. Cerca de 800 peritos de todo o Brasil e também de outros país se inscreveram. As discussões terão temas variados como as investigações sobre o vazamento de óleo diesel no Ribeirão Lindóia, em Londrina, até perícia em crimes cibernéticos.
Na programação, a palestra de Richard Cavalierus, adido do FBI da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, deverá ser das mais concorridas. Ele colaborou nas investigações do atentado terrorista a um prédio federal na cidade norte-americana de Oklahoma, em abril de 1995, que teve como saldo 168 mortos. Seis anos depois, foi cumprida a sentença de pena de morte contra o mentor da tragédia, Timothy McVeigh. Cavalierus falará amanhã, às 14h30.
Outra palestra de destaque acontecerá na quarta, quando Davide Zavattaro, capitão dos Carabinieres (divisão da polícia italiana), abordará a Operação Mãos Limpas, realizada na Itália a partir de 1992. A ação foi iniciada por um grupo de magistrados de Milão e investigou mais de 3 mil pessoas em todo o país, entre políticos, mafiosos e empresários. A Operação gerou mais de 1.200 condenações por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e assassinatos de juízes, e atingiu até o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.
No Brasil, especialistas defendem que a área de perícia sofre com a falta de profissionais. Segundo dados da Associação Brasileira de Criminalística, o país tinha em abril deste ano 3.552 peritos criminais. Se for seguida a proporção recomendada de um perito para cada 5 mil habitantes, o Brasil precisaria ter um total de 33.960 peritos. Para atingir um patamar ideal, o Paraná teria que contar com 1.913 peritos um número mais de dez vezes superior ao de profissionais na ativa atualmente, que são 149.
''Nenhum estado do País tem no momento a quantidade apropriada de peritos. Isso compromete a qualidade do trabalho, ao gerar um acúmulo de laudos'', lamenta Pontes. Ele cita que um passo importante para a valorização da perícia é a desvinculação dos Institutos de Criminalística das polícias, o que já é uma realidade em 14 estados brasileiros (Paraná incluso).
''Geralmente, quando os recursos são destinados às polícias, os investimentos são direcionados principalmente à operacionalização. Se o Instituto de Criminalística é vinculado (à Polícia Civil), acaba sendo preterido na hora de dividir o dinheiro. Com autonomia, a perícia pode requerer recursos próprios e trabalhar com melhor estrutura'', opina o presidente. Pontes lembra que já existe uma matéria no Congresso Nacional que requisita a autonomia dos Institutos de Criminalística em todos os estados brasileiros.

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