Uma equipe de peritos da Universidade Estadual de Londrina, do Instituto de Criminalística e de técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) começou ontem de manhã a perfuração de poços no Pool de Combustíveis e no pátio da América Latina Logística (zona oeste). A área, de aproximadamente 10 mil metros quadrados, está interditada desde maio, quando foi detectado um vazamento de óleo diesel no Ribeirão Lindóia, logo abaixo do Pool.
Os técnicos já sabem onde vão cavar mas não definiram quantos poços serão abertos nem quanto tempo vão demorar para terminar a investigação. Eles querem descobrir onde começou o vazamento de óleo que poluiu o ribeirão. ''Estamos começando o trabalho hoje e só vamos parar quando encontrarmos o responsável pelo vazamento'' afirmou o professor Galdino Andrade Filho, especialista em ecologia do solo e coordenador da equipe de peritos da UEL. Junto com ele trabalham outros oito especialistas na área ambiental. Eles vão apresentar um relatório do trabalho para o juiz da 10 Vara Cível, Luiz Gonzaga Tucunduva de Mouva, que ordenou a formação da equipe e a investigação.
Os mesmos poços serão aproveitados para uma outra investigação, dos peritos do Instituto de Criminalística, que querem descobrir se houve crime ambiental e quem é responsável. Geraldo de Oliveira, chefe da Criminalística, diz que a investigação em conjunto foi definida para agilizar e baratear os trabalhos. A Criminalística estava aguardando uma verba de R$ 20 mil que seria mandada pela Secretaria Estadual de Segurança para pagar as perfurações. Como a liberação do dinheiro estava demorando, os peritos resolveram usar os mesmos poços que serão perfurados para a investigação dos peritos da UEL. ''A legislação ambiental prevê que os suspeitos do crime paguem as despesas da investigação, portanto, o custo das perfurações será pago pelas empresas do Pool e pela América Latina Logística'' explicou Oliveira. Ele não sabe quanto vai ser gasto porque ainda não ficou determinado quantos poços serão perfurados. A empresa que vai fazer as escavações é a Agua Limpa, de Londrina.
A equipe formada pelos peritos da UEL já terminou a avaliação do impacto ambiental causado pelo vazamento de óleo na água do ribeirão e no solo das margens. Esta semana eles iniciam a análise da contabilidade das empresas do Pool para checar se a quantidade de combustível que entrou é a mesma que saiu para os postos de distribuição nos últimos meses. Também estão em andamento análises do impacto sócio-econômico do desastre ecológico na população ribeirinha do Lindóia e ainda um estudo de como o vazamento de óleo afetou a saúde da população que mora naquela área. '' Já temos algumas conclusões mas só o juiz pode divulgar os resultados e achamos que ele vai esperar que a gente conclua todas as análises antes de fazer isso'' ponderou Galdino. Os responsáveis pelo pool de combustíveis não quiseram falar com a imprensa.

Paulo Wolfgang
Equipe sabe onde vai cavar mas não definiu quantos poços serão abertos
e quanto tempo vai durar a investigação

mockup