O desvio de taxa de embarque no Terminal Rodoviário de Londrina (TRL) é maior do que se pensava. Uma fraude no sistema de computadores mascarou o desvio em 96 e 97.
As conclusões são do Instituto de Criminalística (IC). Ainda não foi possível identificar o responsável pelo rombo. O IC fez a análise contábil dos documentos da Rodoviária e dos recibos fornecidos pela empresa de transporte Viação Garcia, a pedido do delegado do 2º Distrito Policial (DP), Antônio Zuba de Oliva.
O laudo do IC já está pronto e servirá de apoio ao inquérito policial aberto para apurar a irregularidade. A denúncia foi levantada em janeiro, pela Viação Garcia, empresa que responde pela maior parte do movimento de passageiros do Terminal. Os recibos da taxa de embarque que a empresa tem do movimento de 97 não conferiam com os números oficiais, indicando que parte da taxa entregue pela empresa à administração havia sumido. O TRL gera cerca de R$ 120 mil por mês e a taxa de embarque - R$ 1,00 por passageiro - responde por 60% da sua arrecadação.
O Instituto de Criminalística descobriu que a fraude no caixa do TRL prosseguiu durante um ano e nove meses - de 9 de março de 96 a 13 de dezembro de 97 - e que o rombo é bem maior do que o imaginado inicialmente (R$ 53 mil). ‘‘Depois de registrados, emitidos e entregues à empresa de transporte, os recibos do movimento eram simplesmente apagados da memória do computador’’, explica o perito criminal Daniel Felipetto.
Dos 12 funcionários que trabalham na administração do Terminal, apenas três têm senhas que dão acesso ao sistema. ‘‘Sem a senha é impossível entrar no computador’’, diz o perito. Segundo Felipetto, o sistema não permite a recuperação dos dados nem registrou a senha que autorizou o comando. O perito levantou ainda que há falhas nos registros de recibos emitidos para as empresas Princesa do Ivaí e Ouro Branco.
‘‘A única forma de saber o tamanho do rombo é fazer que as empresas apresentem seus recibos’’, afirma. Para Felipetto, os fraudadores agiram apenas com as empresas maiores porque elas concentram a maior parte do movimento de embarque. ‘‘Com um volume grande de passageiros é mais fácil esconder o desvio.’’
A ação criminosa se apoiou em um sistema de gerenciamento (o unics) e em uma linguagem informática(cobol), ambos bastante complexos. O perito afirma que precisou de um mês só para entrar no sistema e descobrir como a fraude aconteceu. Ele acredita que a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), administradora do condomínio do TRL, não percebeu a irregularidade porque apenas recebia relatórios do movimento geral do local.
O assessor jurídico da Codel, José Walmir Moro, informa que a companhia está esperando a conclusão do inquérito e o seu encaminhamento ao Fórum para iniciar uma auditoria ampla envolvendo todas as empresas que operam no Terminal.
O delegado Antônio Zuba de Oliva informou ontem que só vai se pronunciar depois de avaliar o laudo do Instituto de Criminalística. Explicou que só poderia ter acesso ao documento quando dispusesse de alguém para buscar o laudo no IC. ‘‘Hoje (quinta) tenho apenas um policial que está tomando conta da cadeia’’, justifica. Os envolvidos no desvio responderão por peculato, crime que prevê de dois a 12 anos de prisão.

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