Perito constata que no break está danificado
Telma Elorza
De Londrina
A polêmica em torno do no break equipamento utilizado para o funcionamento de aparelhos durante queda de energia elétrica do Hospital Universitário de Londrina (HU), que foi comprado em um ferro-velho da cidade, há cerca 50 dias, parece ter acabado. A perícia realizada ontem, no laboratório de Engenharia Elétrica do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pelo professor Carlos Henrique Treviso, comprovou que o aparelho apresenta problemas no módulo que dá carga à bateria. A falha neste módulo faz os fusíveis queimarem após alguns segundos de uso, interrompendo o funcionamento.
Segundo o professor, esta foi a falha mais aparente no funcionamento do no break durante os três testes realizados na perícia. É possível que haja outros problemas, porém sem o esquema elétrico em mãos, que não foi fornecido pelo fabricante, é difícil identificá-los, explicou.
Treviso disse também que, aparentemente, com a bateria carregada, o aparelho poderia ainda acionar uma carga por um determinado tempo. Mesmo com os problemas que detectamos, com carga completa, o aparelho poderia sustentar um computador por 15 a 30 minutos. Talvez o denunciante tenha usado a bateria quando testou o aparelho, o que pode ter dado a impressão que estava em condições, explicou.
A polêmica com o aparelho começou no dia 27 de setembro, quando o técnico em eletrônica que pediu para ser identificado apenas pelas iniciais D.A. comprou num ferro-velho o no break que foi utilizado pelo HU e declarado como sucata. O técnico levou o equipamento para casa e constatou que ele estava funcionando.
Junto com o no break, estava um laudo técnico da empresa Assistence Informática, datado de 30 de agosto de 1999, atestando que o aparelho não poderia ser consertado. O motivo alegado era que o fabricante havia encerrado as atividades e não havia peças de reposição no mercado paralelo.
Depois que foi publicada matéria sobre a aparente contradição entre o laudo técnico e o próprio aparelho que estaria funcionando, segundo o técnico em eletrônica , o dono da KLK Brasil, Luiz Abi, também procurou a imprensa. Ele informou que o no break da marca W System continua sendo fabricado em Cambé e que, ao contrário do que diz o laudo, há peças de reposição no mercado.
Para tentar esclarecer o problema, o diretor-administrativo do HU, Lelbe Luiz Franciscone, solicitou a perícia técnica no laboratório da UEL, que foi acompanhada por representantes da UEL e da Assistence Informática. O técnico em eletrônica que fez a denúncia e o fabricante do aparelho não compareceram à perícia.
Para o diretor-administrativo do HU, a perícia foi plenamente satisfatória. A gente recebeu esta denúncia e tínhamos que tirar isto a limpo, explicou Lelbe Luiz Franciscone.
Para a advogada da Assistence Informática, Adriana Rossini, embora estejam satisfeitos com o resultado, o caso ainda não acabou. O motivo da perícia é que foi colocado em dúvida um laudo da Assistence. Agora vamos atrás do denunciante para apurar como um pessoa faz uma tal denúncia irresponsável. Afinal, uma firma conceituada como ela foi a maior prejudicada em todo este episódio. Possivelmente vamos até entrar com uma ação, afirmou.





