Peripécias de uma adolescente
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Vânia Moreira<BR>Equipe da Folha 
É mais de meia noite, quando os pais angustiados procuram a delegacia de Polícia para registrar o desaparecimento da filha adolescente. A menina sumiu na saída da escola e ninguém tinha notícias. O sumiço mobiliza a família, os amigos, a Polícia e a imprensa. Roubo? estupro? sequestro?. Em tempos de escaladada da violência, nem os moradores das pequenas e médias cidades do interior estão a salvo.
A garota só reaparece em casa por volta das 7h do outro dia. Levada à Delegacia da Mulher, ouvida pela delegada, entrevistada por vários repórteres policiais, ela conta com riqueza de detalhes a noite pavorosa da qual escapou sem nenhum arranhão. Foi abordada na saída da escola por um carro com um rapaz e três moças que ameaçavam matá-la. O carro não tinha placas, mas tinha um adesivo assim e assado. Ela também descreve as características dos ocupantes do carro e garante que reconhecerá o rapaz se o vir de novo.
A menina afirma que diante da ameaça correu muito e se escondeu numa casa vazia, ficando lá a noite inteira, sem saber se os agressores em potencial haviam ou não ido embora. Como estava muito apavorada, não soube dizer onde ficou escondida. Com tão poucas pistas, parece impossível a Polícia descobrir os autores do terrorismo contra a garota. De qualquer forma, os pais respiraram aliviados. Afinal ela estava de volta sã e salva.
É claro que apenas os pais acreditaram na estória. Acostumados a todo tipo de malandragem, os policiais já sabiam de antemão que tinha caroço naquele angu. Bastou pressionar para a adolescente entregar toda a verdade. Passou a noite com o namorado e precisava de um bom motivo (bom mesmo!) para justificar perante a família uma noite inteira fora de casa. Haja imaginação. ''Siniiiiiiistro'', ''iraaaaaado'', diria Tati, a adolescente chatinha do Fantástico.


