O movimento no Hemocentro Regional de Londrina está fraco nas últimas semanas. O volume de doações caiu em torno de 40% após o dia 15 de dezembro. O médico do Hemocentro Leandro Arthur Diehl afirma que é comum haver redução de doadores neste período de fim de ano e nos meses de janeiro e fevereiro, mas que é nesse período que cresce o consumo, em função do aumento da ocorrência de acidentes nas estradas.
Para não ficar sem estoque, o Hemocentro, que é vinculado ao Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) fez campanha em novembro. "Reforçamos os estoques com as campanhas, mas ainda assim precisamos que as pessoas continuem vindo ao Hemocentro", enfatizou o médico. O Hemocentro Regional de Londrina fornece sangue e derivados para 14 hospitais da região. O tipo O negativo é o mais utilizado.
São, em média, 1,2 mil doações por mês. Os homens podem doar até quatro vezes por ano, com um intervalo de dois meses entre uma doação e outra. As mulheres podem doar três vezes e precisam de um intervalo de três meses.
O sangue coletado passa por uma bateria de testes para identificar doenças infecciosas que podem ser transmitidas pela transfusão, como hepatites B e C, sífilis, HIV, doença de chagas e HTLV (vírus que ataca os linfomas). Plasma, hemácias e plaquetas também são processadas pelo Hemocentro. "De uma única doação podemos ajudar três pessoas diferentes", disse Diehl.
A doação é rápida. A coleta do sangue dura no máximo 15 minutos. Mas antes da efetiva retirada do sangue, os novos doadores passam por uma entrevista detalhada para identificar possíveis fatores de risco. Também são feitos testes preliminares que verificam se a pessoa está com anemia.
Pode doar qualquer pessoa que tenha entre 18 e 69 anos, com peso mínimo de 50 quilos, e que não tenha tido gripe, infecção bacteriana, febre ou usado antibiótico nas duas semanas anteriores. Não pode estar grávida ou amamentando. E é preciso apresentar documento com foto e ter feito uma boa refeição três horas antes e ingerir bastante líquido.
Pelo menos três vezes por ano, o segurança Erisson Júnior Cardoso, de 35 anos, faz doação de sangue. É um gesto que começou logo após ele completar 18 anos e se intensificou após a morte do pai, que sofreu um acidente de trânsito e precisou de transfusão, mas não resistiu aos ferimentos.
Cardoso também programa a sua doação para o período de fim de ano, pois sabe que nesta época cai o número de doadores e aumenta a necessidade de reforçar os estoques do Hemocentro Regional de Londrina. "Sempre comentam que precisam de mais doações no fim de ano, então venho nesta semana que tem menos gente", disse o segurança.
A mulher e o irmão dele também são doadores habituais do Hemocentro e, sempre que pode, Cardoso incentiva os amigos a se juntar a ele no gesto de caridade. "Me sinto muito bem doando sangue. Estou colaborando com o próximo", afirmou.
A dona de casa Leonice Bitencourt da Silva, de 51 anos, doou sangue duas vezes este ano. Ela levou a irmã e a filha para doarem também. "Gosto de ajudar as outras pessoas. Doar sangue é fazer o bem", disse.
"Acho que quem tem saúde deve fazer alguma coisa pelo outro", afirmou a inspetora de qualidade Paula Tervel, de 31 anos. Enquanto o marido estava em uma consulta médica no Hospital Universitário (HU), Paula aproveitou para dar a sua contribuição. Esta é a segunda vez que a inspetora de qualidade doa sangue. "Saio daqui com o sentimento de dever cumprido", comentou.
O Hemocentro Regional de Londrina estará fechado no dia 1º de janeiro, mas abre nos dias 31 de dezembro e 2 de janeiro. O horário de funcionamento é de segunda sexta-feira das 13h às 18h30 e aos sábados das 8h às 17h30.

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