Perigosas mas doces invasoras
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Maringá Elas foram chegando aos poucos, uma, duas... entraram na casa por uma fresta do lado de fora. Gostaram do que viram. O lugar era limpo, seco e protegido. Logo as 'exploradoras' chamaram as outras e elas vieram numa nuvem, que invadiu a sala. A mudança foi rápida. Em questão de minutos, milhares de abelhas se instalaram debaixo do assoalho de madeira da sala e acabaram com o sossego da dona da casa, Clair do Carmo Ambrósio.
''Todo dia de manhã era aquele monte de abelha saindo da casa e no fim da tarde elas voltavam. A vizinhança começou a ficar assustada e eu já nem dormia direito mais. Elas eram muito agressivas. Levei duas ferroadas e doeu muito e como tenho dois netos em casa, eu vivia preocupada'', conta Clair. Quando soube que a prefeitura dispunha de um serviço gratuito para retirar as abelhas, ela ligou na hora.
O serviço se chama Programa Doce Mel e funciona através do telefone da Ouvidoria da Prefeitura de Maringá, no número 156. Além das abelhas, a equipe especializada também faz a remoção de enxames de marimbondos e vespas. O projeto, que começou há um ano e meio, tem uma fila de 200 pessoas aguardando atendimento. As vespas e marimbondos são eliminados mas as abelhas são levadas para um apiário. O mel que elas produzem está sendo processado pela Associação de Apicultores do Noroeste do Paraná e repassado para entidades assistenciais, creches e escolas municipais.
''Em casos onde o enxame está localizado perto de escolas ou postos de saúde, a gente prioriza o atendimento'', explica Cristiane Hirose, zootecnista da Prefeitura responsável pelo Programa. Foi isso que aconteceu com a solicitação de dona Clair, que mora em frente de uma escola.
Junto com Cristiane trabalham Flavia Daniel e Paulo Bispo da Silva. Em média, eles fazem uma coleta por dia. Primeiro, isolam a área e pedem que os vizinhos tranquem as casas e recolham todos os animais domésticos. O que acontece em seguida parece cena de filme de ficção científica: os três colocam roupas especiais (macacão, luvas e botas de borracha) e acendem um fumegador. O equipamento tem um fole manual e é abastecido com raspas de madeira molhada: ''A fumaça tem que ser fria, senão as abelhas ficam irritadas'', explica Cristiane. ''Elas pensam que está pegando fogo na colmeia e comem o máximo de mel que conseguem; algumas fogem e outras se embolam em torno da rainha para protegê-la''.
Devagar e em silêncio, Paulo vai abrindo um buraco em volta do ninho. As abelhas são recolhidas em canecas e colocadas nas caixas de criação. A equipe retira também os favos. ''A gente só não pode perder a rainha; se ela fugir, as abelhas vão atrás dela'', alerta Cristiane.
No lugar onde as abelhas haviam formado a colméia, ficou um enorme buraco no chão que ainda precisa de conserto. Mas dona Clair não se incomoda: ''Recuperei o sossego e isso é que importa. Eu gosto muito de mel, mas não gosto de abelha. Mel bom é aquele que a gente compra no mercado''.


