Perigo também mora na Internet
Curitiba - Pela internet, a auxiliar de serviços médicos R.V., de 52 anos, viu sua filha caçula, de 15 anos, embarcar numa viagem sem volta. Sem que ela soubesse, a adolescente mergulhava em sites e salas de bate-papo suicidas do mundo virtual. A jovem, que passou a usar apenas roupas pretas e a frequentar cemitérios à noite, intrigava a mãe com seu comportamento. ''Passei a revistar as coisas dela para ver se achava alguma pista do que estava acontecendo. Ela já ia ao psicólogo fazia algum tempo. Foi muito difícil perdê-la'', conta R.V., que, há quatro meses, enfrentou o suicídio da filha.
''Para mim, a internet contribuiu 80% para este desfecho. Ela começou a acessar sites que reúnem pessoas depressivas, quando ia em lanhouses e na casa de amigos'', relata a mãe. ''Acho que ali ela ganhou incentivo para se matar. Esses sites são assustadores e existem aos montes. Eles alimentam o desejo de praticar o suicídio, todos os dias'', disse R.V. ''Deixo um alerta para que os pais não deixem seus filhos se trancarem no quarto para acessar a internet. Coloquem o computador na sala, num local que vocês possam observar o que ele está fazendo'', aconselha R.V.
O delegado Demétrius Gonzaga de Oliveira da Delegacia de Crimes Virtuais informa que grande parte dos crimes ocorridos na Internet envolvem jovens. Cerca de 40% dos crimes contra a honra e de falsa identidade são cometidos por jovens na Internet. O que ocorreu, recentemente, em Porto Alegre, quando um jovem de 16 anos recebeu orientações de internautas para se suicidar é um alerta para os pais. ''A gente percebe que os jovens exteriorizam uma insatisfação que começa dentro do seio familiar, buscam ajuda na Internet e acabam sendo vítimas ou impulsionados a cometerem delitos'', explica.
''Informática é uma ciência exata. Toda máquina tem local de acesso e um endereço que acompanha a linha telefônica durante a conexão. Com base nesse número é possível identifcar os autores de crimes virtuais. Se esconder atrás de falsas identidades é uma perda de tempo'', informa o delegado, dizendo que, neste ano, a Delegacia de Crimes Virtuais não recebeu denúncia de indução ou incentivo do suicídio pela Internet.
O delegado acredita que os pais devem estar próximos dos filhos e acompanhar a vida dos internautas. ''Os pais não devem bancar os alienados e dizer que não entendem nada de Internet. Se ainda não sabem é bom aprender. É um risco deixar as crianças acessarem livremente sites e a realidade do mundo virtual, sem nenhuma observação ou limites'' alerta Oliveira. (F.G.)
Serviço:
- Denúncias devem ser feitas no Núcleo de Combate ao Cibercrime (Nuciber), em Curitiba, na Rua José Loureiro, 376, 1º andar ou pelo fone: (41) 3323.9448. O núcleo atende todo o Estado. No interior, a pessoa deve se dirigir a delegacia mais próxima, pedir uma lavratura de boletim de ocorrência e prestar depoimento a respeito do fato (com cópia de documentos que sirvam de prova do crime), podendo ou não solicitar apoio do Nuciber.





