Curitiba Depois de cumprir 21 mandados de prisão temporária e 46 de busca e apreensão, a Polícia Civil do Paraná desmantelou quatro quadrilhas especializadas em roubos de cargas e caminhões, que juntas formavam uma organização criminosa. Batizada de ''Operação Comboio'', a ação foi liderada pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) e aconteceu de forma simultânea, ontem de manhã, em 11 municípios do Estado e ainda na cidade de Novo Mundo, no Mato Grosso do Sul. A polícia prendeu 21 pessoas participantes das quadrilhas, que atuavam, principalmente, nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.
Segundo o delegado integrante do Nurce, Alexandre Bonzatto, existe ainda uma quinta quadrilha, que seria liderada pelo ''Cido'' cujos integrantes não foram identificados. ''Fomos até a residência do Cido, em Londrina, mas ele não foi encontrado e permanece foragido'', informou o delegado, acrescentando que foram desbaratadas as quadrilhas do ''Mano'', ''Batman'', ''Preto'' e ''Veinho'', depois de oito meses de investigações. Ainda foram apreendidos celulares, veículos, armas, documentos de veículos, entre outras provas para as investigações.
Até agora, o Nurce já elucidou 26 roubos cometidos pelas quadrilhas e calcula que tenham rendido aos bandidos cerca de R$ 6 milhões (prejuízo estimado para as vítimas). Ainda existe a suspeita de que outros 50 crimes tenham sido efetuados pela organização. Segundo informação do delegado, as quadrilhas teriam agido da seguinte forma: roubavam cargas e caminhões e mantinham os motoristas reféns até que tudo fosse entregue para Claudiomir José da Silveira, o ''Mano'', um brasileiro que estaria comandando todo o esquema em Salto Del Guairá, no Paraguai. A polícia acredita que o ''Mano'' utilizava equipamentos sofisticados para rastrear sinais exclusivos das polícias brasileiras e assim orientava as quadrilhas, passo a passo.
''O Mano era o receptor dos roubos, principal beneficiado, e o grande mentor da organização criminosa. Os caminhões chegavam até a fronteira, em Guaíra, e ele fazia a passagem pela ponte Ayrton Sena'', explica o delegado, dizendo que se tratava de uma organização criminosa pequena e que cada integrante tinha uma função determinada, para que se houvesse um flagrante, diminuisse a gravidade do crime e permanecessem como réus primários. ''Nunca eram os mesmos que transportavam o caminhão até a fronteira. Eles eram muito especializados'', esclarece Bonzatto.
De acordo com o delegado, os roubos se concentravam nas regiões de Cascavel, Paranavaí, Loanda, Santo Antônio da Platina, Ibema, Presidente Castelo Branco, Palmeira, Cianorte, Maringá, Francisco Beltrão e Campo Mourão. A ''Operação Comboio'' contou também com o apoio do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e das delegacias de Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Toledo, Campo Mourão e Maringá.

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