Perigo nas calçadas
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina O precário estado de conservação das calçadas é uma das reclamações mais recorrentes dos moradores de Londrina. Uma lei aprovada em fevereiro de 2011 regulamenta o padrão das calçadas, porém só abrange a área do quadrilátero central da cidade, que corresponde às quadras entre as avenidas Leste-Oeste e Juscelino Kubitschek e Avenida Fernando de Noronha e Rua Uruguai. Os imóveis que ficam fora desta área e foram construídos antes da data de promulgação da lei não precisam fazer a adequação.
No cruzamento entre a Avenida Harry Prochet e a Rua Villa-Lobos, no Jardim Mediterrâneo (zona sul), uma boca de lobo aberta próxima à esquina coloca em risco os pedestres. Para piorar a situação, o buraco fica escondido sob o mato, que começa a tomar conta do local. O problema perdura há tanto tempo que até mesmo uma lasca do tronco de uma palmeira, que os moradores colocaram em pé para sinalizar o perigo, já secou e hoje só faz esconder o buraco.
A comerciante Nádia Barrozo, moradora do bairro, cobra uma uma solução por parte da prefeitura. "É um descaso. Já faz meses que a tampa de cimento da boca de lobo quebrou e ninguém arruma. Isso pode causar um acidente a qualquer hora", denunciou. A calçada do outro lado da rua, que poderia ser usada como alternativa, está tomada pelo mato. "Esses terrenos vazios são um problema graves. Os donos abandonam e isso prejudica os vizinhos", criticou Marcos Roberto Teodoro.
Nos bairros vizinhos, o mato também toma conta das calçadas. Na rua José Nogueira Franco, duas touceiras de quase dois metros, nascidas no meio-fio, avançam sobre o asfalto. Outro grande terreno de esquina nas ruas Mário Cecarelli e Alberto Bonafini também se tornou um matagal. Quando não é o mato, são os materiais de construção que obstruem a passagem dos pedestres.
O assessor para assuntos de Acessibilidade do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Antonio Borges dos Reis, disse que as calçadas são alvo de reclamações em 90% das cidades brasileiras. Ele destaca como questão estratégica na discussão sobre acessibilidade o fato de as prefeituras se eximirem da responsabilidade sobre a construção e manutenção de calçadas, colocando isso a cargo dos proprietários de imóveis. "O imóvel termina no muro, no portão. A calçada é um complemento, mas é pública e caberia ao poder público cuidar dela."
ESPAÇOS PÚBLICOS
A conservação também é ruim nos espaços públicos. A escadaria de acesso à Concha Acústica do Zerão tem vários degraus quebrados. As rachaduras no cimento colocam em risco quem passa pela escadaria íngreme. O aposentado José Ivo Pozzobom aproveitou o fim de semana para fazer uma caminhada pelo parque, mas se decepcionou com as condições. "É preciso tomar muito cuidado para não se machucar", lamentou. Outro parque na mesma situação é o da Vila Portuguesa (área central). A maioria das escadarias está danificada e há muito tempo não recebem manutenção.
DEMANDA
Em relação ao mato alto, a Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU) estima que existam cerca de 70 mil terrenos sem construções em Londrina. Do total, pelo menos metade está abandonada. A demanda é alta para as equipes de capina e roçagem que dão conta da limpeza de 10 a 15 terrenos particulares por dia. O procedimento gera multa, que somado à taxa de limpeza pode chegar a R$ 600 em um terreno de 250 metros quadrados, por exemplo.
Sobre as condições dos pisos dos espaços públicos, a reportagem entrou em contato com a prefeitura e foi informada ontem que apenas o secretário de Obras, Valmir Matos, poderia falar, porém ele estava em viagem. As equipes operacionais informaram que vão verificar o bueiro aberto na Harry Prochet.


