PERIGO INVISÍVEL - Pesquisadores investigam relação com câncer
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sábado, 07 de maio de 2011
Carolina Avansini <br>Reportagem Local 
A relação entre resíduos de agrotóxicos nos alimentos e as possíveis consequências desses produtos para a saúde humana tem motivado diversas pesquisas científicas. Professora da Faculdades Pequeno Príncipe, de Curitiba, a química Adriana Pimentel de Almeida Carvalho desenvolveu a tese de doutorado, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), sobre o tema.
O trabalho foi baseado no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com base nos resultados do levantamento da Anvisa, ela ofereceu doses similiares dos defensivos irregulares na ração de animais e, a partir da análise de amostras de fígado, cérebro e tecido adiposo, desenvolveu um método para quantificar o quanto dos produtos permanecia no organismo. ''O objetivo é relacionar esses dados à manifestação do câncer. Como o estudo não terminou, não há dados concretos sobre essa relação.''
Independentemente da pesquisa, Adriana afirma que, quimicamente, a molécula do agrotóxico é muito favorável a causar a doença. ''Por serem solúveis em gordura, ficam acumuladas no organismo e ainda podem ser transferidas para descendentes. Ao reagirem com outros fatores, as moléculas podem desencadear enfermidades'', observa.
Além das moléculas de agrotóxicos presentes em legumes, verduras e frutas, há resíduos dessas substâncias na água, no peixe que se alimenta das plantas contaminadas, no gado que come pastagens tratadas com defensivos e até no ovo e no leite. ''Noventa por cento da exposição do homem aos agrotóxicos é por ingestão de alimentos'', afirma. O perigo maior está na quantidade de moléculas acumuladas ao longo da vida e transferida para novas gerações. ''Se a pessoa tem algum problema de saúde ou tendência a desenvolver o câncer, essas moléculas vão ajudar o problema a se manifestar.''
Fatores ambientais
O projeto Geomedicina, desenvolvido pelo Instituto Pelé Pequeno Príncipe, de Curitiba, estuda a relação entre os fatores ambientais e a saúde pública num determinado espaço geográfico. O objetivo inicial foi identificar se existe algum fator externo que explique porque, no Paraná, o câncer do córtex adrenal se manifesta 15 vezes mais que em outras regiões do País.
No sistema estão sendo correlacionados os dados de elementos químicos presentes na água e no solo do Paraná - como é o caso dos agrotóxicos -a informações de saúde. Os dados serão cruzados às informações levantadas na pesquisa do câncer de córtex adrenal, gerando um mapa de incidência da doença.
Segundo o médico Bonald Cavalcante de Figueiredo, pesquisador na área de câncer pediátrico e diretor científico do Instituto Pelé Pequeno Príncipe, a única certeza determinada pela pesquisa é que o câncer de córtex adrenal ocorre em maior proporção nas pessoas que possuem uma mutação genética.
Enquanto três em cada cem pessoas com a mutação desenvolvem o câncer, o índice passa para uma a cada três milhões de pessoas com a doença no grupo sem mutação. ''Estamos buscando, no grupo que possui a mutação, quais outros fatores desencadeiam o câncer. Entre as possibilidades estão os agrotóxicos, cigarros, doenças virais, bactérias e até hábitos alimentares'', informa.
Mestrado da UEL
Desde fevereiro, docentes de vários Centros da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ministram o curso de mestrado profissional em Toxicologia Aplicada à Vigilância Sanitária (Anvisa) na sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília (DF). O curso é voltado à qualificação das gerências de toxicologia, medicamentos e alimentos e o tema ''agrotóxicos'' é um dos conteúdos mais discutidos.
A coordenadora do mestrado é a biomédica, doutora em saúde coletiva pela Unicamp e docente da UEL, Monica Bastos Paolielo. Ela explica que o curso tem duração de três anos. ''O foco é fortalecer e qualificar estes profissionais, numa área tão importante que é a toxicologia'', destaca.
A grade é composta por disciplinas obrigatórias como avaliação de riscos à saúde, epidemiologia e bioestatística. Os alunos são 30 gerentes da Anvisa formados em áreas diversas como médicos, químicos, bioquímicos, veterinários, biomédicos, agrônomos, advogados.
Monica observa que a UEL foi indicada por ter larga ''experiência, excelência e qualidade comprovadas'' na área. Ela comenta que o mestrado é importante porque gera conhecimento que, depois poderá ser disseminado país afora. é um caminhar, não acontece do dia para outro. (Colaborou Luciano Augusto)


