PERIGO INVISÍVEL - Contaminação no PR é maior que no País
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sábado, 07 de maio de 2011
Silvana Leão <br>Reportagem Local 
O último levantamento feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em junho do ano passado, apontou que o pimentão é o grande vilão da mesa do brasileiro: 80% das amostras analisadas no País apontaram resíduos de defensivos químicos. No Paraná, a situação é ainda mais preocupante, com 85% das amostras do alimento apontando contaminação. Na sequência, vêm a uva (56% de contaminação das amostras no País) e o pepino (54% de contaminação).
O morango vem em quarto lugar, com um índice de 50% de contaminação. No Paraná, porém, a porcentagem de frutos contendo resíduos químicos chega a 71%. Um fenômeno que também ocorre com o abacaxi e com o mamão: no País, 44% e 38% das amostras, respectivamente, estavam contaminadas, enquanto no Paraná este índice chegou a 85% no caso do abacaxi e 57% em se tratando do mamão. O engenheiro agrônomo Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de olericultura do Instituto Emater, lembra, porém, que nem todo produto à venda no Estado é produzido aqui. No caso do abacaxi, por exemplo, quase todo o volume vem de fora.
Hamerschmidt ressalta que produtos como batata e tomate, que tradicionalmente encabeçavam a lista dos mais contaminados, hoje apresentam índices menos preocupantes. A batata nem chegou a entrar na relação dos 10 que apresentaram mais resíduos, enquanto o tomate ficou em penúltimo lugar, com um índice de contaminação de 32% no País e 42% no Paraná. ''A situação está melhorando, mas ainda não é a ideal. Ainda é muito comum os produtores tentarem controlar as doenças de uma determinada cultura utilizando produtos indicados para outra. Este é o grande problema das contaminações'', explica o agrônomo.
Segundo Hamerschimidt, quando são utilizados os produtos indicados para a cultura e respeitados os prazos de carência (período que decorre entre a aplicação e a colheita) os males para o organismo são bem menores. ''Até um determinado nível, os resíduos são eliminados pela urina'', esclarece. Outra forma de minimizar os efeitos químicos é consumir frutas e legumes da época - por serem adaptados ao clima da estação e à região, é possível produzi-los sem recorrer a tantos insumos. Na impossibilidade de consumir produtos orgânicos (que dispensam adubos e defensivos químicos), também há a opção de recorrer aos alimentos mais rústicos, como mandioca, batata doce, mandioca salsa, cará e nhame, entre outros, que dependem de menos agrotóxicos.
O agrônomo ressalta que atualmente 150 municípios do Paraná mantêm produções orgânicas. Embora não chegue nem à metade dos municípios, Hamerschimidt afirma que o Estado tem evoluído neste tipo de cultivo. O último levantamento (safra 2008/2009) apontou para uma produção de 138 mil toneladas de orgânicos e mais de sete mil produtores.
No Paraná, que ocupa o terceiro lugar do ranking dos estados que mais consomem defensivos agrícolas, um estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) sobre indicadores de sustentabilidade ambiental por bacias hidrográficas apontou que o Estado possui 80% de seu território ocupado pela produção agropecuária e utiliza 12Kg de agrotóxico por hectare ao ano, enquanto a média brasileira de consumo é um terço menor, de 4Kg/ha/ano.
As regiões que mais consomem são a de Cascavel (23kg/ha/ano), Londrina (21 kg/ha/ano) e Ponta Grossa (20 kg/ha/ano). Nestas regiões, há também o uso de agrotóxico com o máximo nível de periculosidade.


