Na região de Marilândia do Sul, onde 800 agricultores produzem hortaliças, a Emater local realiza há dez anos um trabalho ostensivo para conscientizar sobre a correta aplicação dos agrotóxicos. O objetivo é evitar a contaminação do solo, da água e também reduzir os resíduos dos produtos nos alimentos que chegam às gôndolas de supermercados.
Atualmente, segundo o engenheiro agrônomo especializado em agroecologia Romeu Suzuki, 350 produtores tomam cuidados que incluem a observação das condições climáticas antes da aplicação, a dosagem correta, o cumprimento da carência e a utilização de produtos adequados para cada cultura. Outros doze baniram totalmente o uso de defensivos agrícolas e adubos químicos de suas propriedades e conseguiram certificação de produção orgânica.
Apesar do trabalho de conscientização, Suzuki afirma que em muitos sítios e fazendas ainda ocorrem aplicações incorretas por falta de treinamento, principalmente dos funcionários. ''Não há fiscalização'', lamenta, acrescentando que o preço da irresponsabilidade é pago pelos consumidores. ''Eu mesmo só me alimento de produtos orgânicos'', enfatizou.
Na propriedade da família de Edmar Pereira da Silva, a simples colocação de estufas reduziu quase pela metade o volume de agrotóxicos aplicados na plantação de tomate. ''Quando a lavoura ficava ao ar livre, tinha que passar o produto depois de cada chuva. Agora, só passamos de acordo com as doses recomendadas'', explica.
O produtor também usa apenas agrotóxicos registrados para cada cultura produzida. Além do tomate, a família planta cenoura, beterraba e cebola que são vendidos, principalmente, para compradores paulistas. A utilização dos equipamentos de proteção é outra prática adotada pelo agricultor. Por conta dos cuidados, ele garante que os legumes podem ser consumidos sem medo. ''O que não queremos para nós, não venderemos aos outros. Aprendi com meu pai a respeitar o consumidor'', diz.
Depois de passar por duas intoxicações por agrotóxicos nas últimas décadas, o produtor Herst Sturzenegger, também de Marilândia, foi o principal apoiador dos filhos Robson e Robiane quando, depois de frequentarem cursos sobre agricultura orgânica, resolveram ''limpar'' a propriedade dos adubos químicos e agrotóxicos.
Com lavouras de tomate, cenoura e milho, eles garantem que a mudança trouxe benefícios para a saúde e para o bolso. ''Nunca mais tive dor de garganta e dor de estômago'', atesta Robson, que faz questão de alimentar a filha Mirela, 5 anos, apenas com produtos orgânicos. ''Ela gosta de todos os legumes'', orgulha-se.
O agricultor relata que, na produção orgânica, o custo com mão de obra é maior porque todo o manejo é feito manualmente. ''Mas compensa porque a remuneração é melhor e tem mercado estável o ano inteiro'', observa. O desafio dos produtores da região, segundo ele, é eliminar os atravessadores e vender direto aos consumidores finais com preços mais baixos. ''Infelizmente, o maior lucro ainda fica com os atacadistas'', pontua.

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