Perigo é a alienação, diz psicóloga
Respeito a religiosidade e todas as crenças das pessoas, e delas não faço julgamento de valores. Trato das questões ligadas à regressão a vidas passadas como sintomas psíquicos. Todos têm o direito de acreditar em OVNIs, bruxas etc. Agora, usar a regressividade apenas enquanto técnica de cura me parece um exagero agressivo, avalia a psicóloga Sonia Regina Vaz.
De acordo com ela, a técnica da regressividade pode ser considerada como uma invasão no inconsciente das pessoas. Há sérios riscos psicológicos nesta invasão, porque ela submete o paciente às fatalidades de vidas passadas. Isto funciona como um escapismo da realidade cotidiana da pessoa, podendo levá-la à completa alienação, afirma a psicóloga, que segue a corrente analítica e tem especializações em terapia corporal e em biopsicoenergética.
Não podemos explicar tudo pelo inconsciente e nem tudo só pelo consciente. Nossas crenças objetivas ou subjetivas, religiosidade, regressos ao passado e outros sentimentos fazem parte de um conteúdo coletivo. São fenômenos que merecem ser bem trabalhados, com respeito e seriedade. Mas sem exageros, porque a técnica pela técnica pode ser ilusória e levar a um desprezo pelo corpo, pela vida real; fazendo com que a pessoa perca o controle sobre suas potencialidades e passe a viver em função do que existe de perfeito somente após a morte, comenta Sonia Vaz.
Segundo ela, a regressividade pode ser considerada uma das técnicas indutivas que invadem a individualidade do paciente. O inconsciente deve se manifestar naturalmente, através de sonhos e projeções, por exemplo. Não devemos invadi-lo de maneira agressiva. Isto é ruim para a pessoa, ressalta a psicóloga, que é formada em São Paulo e trabalha em Londrina há mais de quatro anos. Esta técnica, muito centrada nas fatalidades causadas por vidas passadas, pode causar no paciente uma neurose narcísica, desconectando-o de seus próprios sentidos e instintos. A pessoa sai do cotidiano real, se aliena dos problemas e do próprio corpo, tornando-se passivo e submisso ao passado. Isto gera novas doenças psíquicas.Arquivo FolhaSentidosSonia Regina Vaz: invasão do inconsciente das pessoasOsmani Costa





