Perigo à noite
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Osmani Costa 
Londrina
A cidade cresceu muito. Não dá para nossos policiais estarem em todos os lugares ao mesmo tempo
Edwaldo Machado, capitão do 5º BPMJá não se pode mais passear à noite com a família pelo Zerão impunemente. Levar a namorada para conversar no automóvel às margens do lago Igapó sob a luz da Lua é coisa do passado, ou de corajosos desavisados. Aumentou muito, nos últimos tempos, o número de assaltos e agressões a pessoas - pedestres ou de carro - em locais públicos de Londrina durante o período noturno. As vítimas dizem que o perigo é constante nas ruas, parques e praças. As autoridades policiais afirmam que Londrina cresceu muito, deixou de ser uma cidade pacata, e não há condições de garantir segurança para todas as pessoas, em todos os locais, 24 horas por dia.
Vítimas preferidas dos assaltantes têm sido os casais de namorados que arriscam a parar seus automóveis no estacionamento atrás dos prédios do Fórum e da Prefeitura, perto da barragem do lago Igapó 1. Muitas vezes, os assaltantes chegam a pé ou de motocicleta, ameaçam os casais com revólveres ou facas, e lavam sem muito trabalho as carteiras e jóias. Algumas vezes, os namorados são levados para estradas de terra fora da área urbana, agredidos fisicamente e abandonados sem o automóvel.
Arquivo FolhaAs pessoas não podem dar moleza para os bandidos. Não se pode viver aqui como numa cidade pequena
Muitas vítimas não registram queixa na Polícia, por questões pessoais, por vergonha dos amigos e familiares, ou por medo de vingança dos marginais. Algumas delas fizeram contatos com redação da Folha nas últimas semanas, solicitando que se denuncie a situação de risco a que estão expostos os que passeiam à noite pela Cidade, mas não querem ser identificadas pela reportagem por diversos motivos.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) em Londrina, Wanderci Corral Fernandes, afirma: Não são tantos casos assim. Os números oficiais mostrados por ele, no entanto, dão conta que pelo menos dois destes casos são registrados semanalmente pelas vítimas. Muitos outros devem estar incluídos entre os quatro crimes contra a pessoa atendidos pela PM por semana.
Um deles, ocorreu no início da noite da última segunda-feira, quando três profissionais liberais que andavam na pista de cooper do Igapó presenciaram a tentativa de estupro de uma jovem(leia matéria ao lado).Temos que nos conscientizar que Londrina deixou de ser uma cidade pequena há muito tempo. Hoje, ela é uma metrópole, com todos os problemas que isso pode acarretar. Não dá mais para ficar namorando e passeando à noite, em lugares escuros e desertos, sem o risco de ser assaltado, como acontecia há algumas décadas, ressalta o capitão Edwaldo Gomes Machado, responsável pelo setor de planejamento do 5º Batalhão da PM.
Segundo ele, o aumento da criminalidade é consequência direta da série de problemas sociais - desemprego, êxodo rural, inadimplência - que acometem grande parte da população mais pobre. A cidade cresceu muito, inchou na periferia. À noite, nosso trabalho ostensivo e repressivo nas ruas conta com 30 viaturas e 180 homens. O número é bom, mas mesmo assim não dá para nossos policiais estarem em todos os lugares ao mesmo tempo, comenta o capitão Machado.
Ele garante que o tempo médio gasto para uma viatura da PM atender ao chamado da população - pelo telefone 190 - é de 6 minutos. Estamos informatizando a sala de operações, e vamos em breve diminuir este tempo. Outros 60 soldados também estão sendo treinados e logo serão incorporados à equipe de trabalho ostensivo, afirma o capitão da PM, lembrando que a incidência de assaltos e atos de violência aumenta nas noites de sexta-feira e sábado. Não dá para precisarmos os locais mais perigosos da Cidade. Até porque, se a gente divulga, os delinquentes mudam os lugares de ataque. O assaltante é oportunista, espera a melhor oportunidade para atacar a vítima. Por isto, o melhor é não facilitarmos a ação dele. As pessoas devem evitar namorar em carros e andarem, à noite, em locais escuros e pouco frequentados.
O delegado Wanderci Fernandes também considera importante que as pessoas tomem precauções para evitar serem vítimas de assaltos. Os casais de namorados devem evitar os locais escuros. As pessoas não podem dar moleza para os bandidos, facilitar a ação deles. Londrina é uma cidade grande, não podemos mais viver aqui como se vive em uma cidade pequena. Mas tem gente que vai fazer piquenique no Igapó à noite. Aí, é se expôr demais ao perigo e à ação dos marginais, comenta o chefe da PC na Cidade.
Ele diz que à noite trabalham três equipes de policiais civis, em rondas pelo centro e bairros. O número é pequeno, estamos com falta de gente - cerca de 20 investigadores cuidam de presos nos distritos -, mas mesmo assim temos ajudado a PM no trabalho preventivo nas ruas, explica Wanderci Fernandes. O número de assaltos já diminuiu nas últimas semanas, depois que colocamos mais policiais fazendo rondas pela Cidade.
O delegado-chefe não sabe precisar, porém, de quanto foi esta diminuição. Ele explica que a Polícia Civil atua mais na investigação e prisão dos criminosos a partir do registro da ocorrência pela vítima. O trabalho ostensivo e de prevenção é mais incumbência da PM. Mas as duas polícias têm trabalhado em conjunto; nós colaboramos com o que nos é possível. A situação de pessoal da PC em Londrina só vai melhorar a partir do próximo ano, com a contratação de 40 novos policiais e a inauguração da Prisão Provisória, que vai liberar nos distritos outros 20 investigadores. Todos serão incorporados ao trabalho de rua.


