Londrina – A falta de lixeiras, problema crônico de Londrina, é ainda mais perceptível nos bairros distantes do centro da cidade. Quanto mais periférica a vizinhança, menos equipamentos disponíveis para a população fazer o descarte correto de rejeitos. Basta percorrer locais como o Residencial Vista Bela (zona norte) para perceber que a administração municipal historicamente não dá à periferia a mesma atenção destinada aos bairros da área central.
Desde a década de 1990 a maioria das aquisições deste mobiliário urbano não previu que elas fossem instaladas nos bairros da periferia. Moradora do Vista Bela, Renata Firmino lamenta a falta de lixeiras no bairro, mas lembra que não adianta implantá-las se não houver conscientização dos moradores para usá-las de forma adequada. "Seria interessante que as crianças aprendessem a se conscientizar desde cedo. Não adianta colocar as lixeiras sem essa orientação", opina.
A professora aposentada Rose Arruda, de 68 anos, é moradora do Jardim Aragarça (zona leste) e conta que é comum flagrar pessoas jogando lixo no chão na frente da casa dela. "Eu varro todos os dias. Além das lixeiras, nós precisamos de gente que limpe as ruas. Em São Vicente (SP), onde morei por alguns anos, sempre tinha um pessoal que varria as ruas, dia sim, dia não. Aqui eu acho muito abandonado. A limpeza tinha que ser melhor", reivindicou.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informa que desde novembro vem substituindo as lixeiras econômicas, fabricadas com o reaproveitamento de latas de tinta, que estão danificadas por outras do mesmo modelo. Até agora, 76 delas foram substituídas e outras 124 devem ser trocadas até o fim de fevereiro. O serviço já foi executado em frente ao Teatro Ouro Verde, nas proximidades da prefeitura, nas praças Rocha Pombo e Sete de Setembro, nos lagos municipais, no Bosque Municipal e nas proximidades de pontos de ônibus. Novamente a área central foi privilegiada.
O material é "fabricado" pela própria prefeitura, que recicla materiais utilizados no dia a dia. Além das 200 unidades, existe a intenção de ampliar o número de lixeiras econômicas para regiões periféricas.
A CMTU, no entanto, não tem um estudo sobre o número necessário de lixeiras no município. Um dos próximos passos é a implantação de unidades do modelo econômico na Avenida Leste-Oeste, ao longo da pista de caminhada. As antigas latas amassadas foram retiradas e encaminhadas para a serralheria do município. As que puderem ser reaproveitadas serão reparadas, e as que não puderem vão para a reciclagem.
A CMTU também firmou uma "convenção" com a empresa Conservlimp, responsável pela varrição, para que seja feita também a coleta dos materiais na lixeira. O destino do recolhimento será a empresa Kurica, que por meio de um termo de cooperação passa a receber esses materiais.
Segundo a assessoria da CMTU, mesmo sem constar no contrato, as parcerias preveem a implantação de cem novas lixeiras na cidade, sendo 10 a 15 mini contêineres de mil litros. O restante serão lixeiras de plástico, com capacidade para 240 litros. Tudo isso sem custo adicional para o município.
A aquisição de lixeiras é um tema bastante sensível na cidade. Em junho do ano passado, o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, apontou que houve desvio de R$ 212,4 mil em três licitações fraudadas na gestão de Antônio Belinati no final da década de 90. Na época os objetos contratados – 3,3 mil lixeiras, 45 bancos com estrutura metálica, 6 mil sacos de cal e 600 barricas de cola para cal – jamais foram entregues ao município. Em valores corrigidos, o montante equivale a R$ 570,2 mil que foram desviados no escândalo que ficou conhecido como Ama/Comurb.
Desde então foram feitas outras aquisições de lixeiras, estas devidamente implantadas. Em 2006 foram instaladas lixeiras ao lado de pontos de ônibus por meio de parceria com as concessionárias de transporte coletivo. Em 2007 foram implantadas lixeiras de concreto no Lago Igapó 2, em parceria com uma construtora, e em 2008 foram instaladas pela primeira vez as lixeiras econômicas, feitas com latas de óleo. Em 2010 foram implantadas as lixeiras com o estilo de grelhas. Desde 2010 até 2014 o Calçadão também ganhou novas lixeiras, previstas na licitação que revitalizou o espaço. Em todos esses casos a região central foi a mais privilegiada.

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