Perícia vai avaliar aumento do pedágio
De olho nas sequelas que um aumento de pedágio em plena recessão pode representar para o seu segundo mandato, o governador Jaime Lerner (PFL) saiu-se pela tangente. Lerner disse ontem, após cerimônia no Palácio Iguaçu, que o governo quer atuar como um mediador entre os usuários e as concessionárias que hoje exploram as rodovias do Anel de Integração. Vamos mediar, afirmou.
O governador desviou-se das discussões envolvendo o impasse vivido com as concessionárias e não quis falar do respaldo político que tem na Assembléia num eventual reajuste. Mas anunciou que o governo vai encomendar perícia para uma avaliação de todo o processo, não descartando a possibilidade do reajuste. A intenção é mostrar, com documentos, se os preços cobrados atualmente são compatíveis ou não. Só depois da peritagem é que nos manifestaremos, observou.
EDSON MAZZETTOA decisão de Lerner, de contratar uma equipe de peritos, foi tomada ontem pela manhã, no seu retorno de Brasília. Na quarta-feira, o governador teve audiências com os ministros Renan Calheiros (Justiça), Raul Jungmann (Política Fundiária) e Valdeck Ornellas (Previdência). Lerner não quer depender exclusivamente dos cálculos que estão sendo preparados pelo secretário de Transportes, Heinz Herwig. Quero uma comissão de peritos independentes com notório saber, ressaltou o governador.
Lerner disse que dois pontos pesam na questão do pedágio: a decisão da Justiça Federal (Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre) autorizar a paralisação de obras do Anel, e a situação econômica pela qual o País passa. Temos de encontrar uma solução, disse o governador, que também optou pelo silêncio na hora de avaliar as declarações do presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL) - e seu colega de partido - favoráveis à recomposição das tarifas reduzidas em 50% em julho de 98, ano eleitoral.
O discurso do governador deixou interrogações. No meio da entrevista, concedida aos jornalistas, Lerner afirmou que o governo do Estado não abre mão do reinício das obras, deixadas de lado pelas concessionárias por força de uma liminar concedida pelo TRF, em fevereiro passado. Mas não sinalizou nem que o governo pretende intensificar sua estratégia jurídica nem que a retomada significa aumento automático de tarifas. Temos de acelerar as obras e ver o que é necessário, considerou.
A duplicação de pelos menos cinco trechos tem sido considerada prioritária pelo governo e deputados.





