A Polícia Civil segue investigando o acidente que deixou três pessoas mortas na noite do último sábado (8) na zona norte de Londrina. Neste momento, a polícia aguarda a chegada de novas imagens da colisão, assim como da perícia que deve apontar a velocidade estimada em que o carro trafegava pela rodovia.

O acidente aconteceu na noite de sábado, por volta das 22h40, na Rua Omar Mazzei Guimarães, no bairro Nova Olinda, envolvendo um carro, uma motocicleta e um pedestre. Pelas imagens, é possível ver que a motocicleta avança à preferencial quando é atingida pelo carro, que aparenta estar em alta velocidade. Na sequência, o carro atinge um pedestre.

Na motocicleta, o casal Brendon Ryan Romanholi Pedroso, de 20 anos, e Giovanna Pereira Leite, de 18 anos, chegou a ser socorrido e encaminhado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Mater Dei, mas ambos não resistiram aos ferimentos. O pedestre Alexandre Roberto Bueno, de 51 anos, foi prensado contra a parede e foi encontrado embaixo do carro. Ele também não resistiu e faleceu. As três vítimas foram sepultadas, Brendon e Giovanna na segunda-feira (10) e Alexandre no domingo (9).

O carro era conduzido por Anderson Tavares Bernardo, de 28 anos. Ele foi ouvido na Central de Flagrantes na manhã de domingo (9), mas ficou em silêncio. Além dele, uma mulher também estava no veículo, mas não teve a identidade divulgada até o momento. Exames após o acidente não indicaram o consumo de bebidas alcoólicas.

Novas imagens

O delegado adjunto das delegacias de Trânsito e Estelionato, Jayme José de Souza Filho, explica que novas imagens foram reunidas pela polícia para dar continuidade na investigação. Ele aponta que os vídeos devem ser periciados para que seja determinada a velocidade em que o motorista do carro trafegava na via. No local, a velocidade máxima permitida é de 40 quilômetros por hora.

“Pela análise preliminar dessas imagens, verifica-se que a motocicleta teria avançado a preferencial da via. Entretanto, há indícios de que o veículo estava em velocidade bastante superior àquela via”, detalha o delegado, complementando que esse é um elemento de prova técnico.

Filho aponta que o condutor do veículo, Anderson Tavares Bernardo, é habilitado. Por outro lado, apesar de também ser habilitado, Brendon Ryan Romanholi Pedroso, de 20 anos, tinha uma anotação no registro citando que, no momento, ele estaria na condição de inabilitado. “Ele deveria reiniciar o processo de habilitação” complementa, sem citar o que teria motivado a suspensão do direito de dirigir do rapaz.

Até o momento, o inquérito policial investiga um possível crime de homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. “Esse foi o entendimento inicial da autoridade policial plantonista tendo em vista os elementos que ela tinha naquele momento, evidenciado pelo motociclista que teria avançado à preferencial”, explica.

Velocidade do carro

Um fator determinante para o andamento das investigações envolve a velocidade em que o motorista trafegava pela via, além de outros elementos de prova, como o relato de testemunhas do acidente. “A instrução do inquérito policial está em fase inicial e nós buscamos trazer o maior número de elementos de prova neste momento, não apenas exames periciais, mas também eventuais provas testemunhais que possam colaborar [para entendermos] o que aconteceu naquela noite”, detalha.

O delegado explica que até o momento apenas o familiar de uma das vítimas, Alexandre Roberto Bueno, foi ouvido. O irmão disse que a vítima estava no local a pedido dele para fechar o espaço de eventos após uma festa. Bueno foi atingido após a colisão inicial entre o carro e a motocicleta. A princípio, o delegado aponta que, ao ser atingido, o pedestre foi prensado contra a parede e, na sequência, ficou preso sob o carro.

O irmão de Alexandre Roberto Bueno teria ficado sabendo do acidente por meio de um sistema de monitoramento instalado na propriedade, sendo que tinha acesso às imagens das câmeras pelo celular. “Ele foi até o local à procura do irmão dele, não localizou o irmão nas imediações, entretanto ele que teria avistado que o irmão estava embaixo do veículo”, detalha.

Além do motorista e da passageira do carro, diversas pessoas estavam no local, até mesmo uma equipe de socorristas. “Saber que se as pessoas tinham ciência de que o corpo estava embaixo daquele carro ou não é algo que pode ser apreciado ao longo da instrução”, esclarece, em relação a uma possível omissão de socorro.

As investigações agora seguem com apoio do Bateu (Boletim de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado) feito pela Polícia Militar, documento que chegou às mãos do delegado pouco antes do meio-dia desta terça-feira (11). Além disso, novas imagens e a oitiva de familiares e de testemunhas do acidente também devem ajudar a polícia a elucidar o caso.

O delegado aponta que a passageira que estava no veículo deve depor em breve, o quanto antes for possível, mas ainda sem data definida até o momento. O motorista, apesar de ter ficado em silêncio na primeira oitiva, pode ser convidado novamente à prestar esclarecimentos.

A Folha de Londrina entrou em contato com o advogado que representa Anderson Tavares Bernardo, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

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