Perícia reconstitui a morte de Django
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sexta-feira, 02 de maio de 1997
Lucília Okamura 
Milton DóriaSem reaçãoA reconstituição da morte de Django, ontem à tarde: vítima estava dominada quando recebeu tiroPeritos do Instituto de Criminalística de Londrina fizeram, ontem à tarde, na fazenda Borborema, em Tamarana, a reconstituição da posição em que se encontrava o corpo do segurança José Lopes de Oliveira, 36 anos, conhecido como Django. Ele foi morto com um tiro na cabeça, no dia 27 do mês passado, disparado provavelmente por um dos sem-terra que invadiram a casa onde ele estava. A reconstituição confirmou que, quando o tiro foi disparado, Django não tinha chance de defesa.
O chefe do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, explica que a vítima estava deitada, com o tórax levemente inclinado e o autor do disparo estava de pé, com o braço esticado. O tiro, segundo ele, foi dado a uma distância de 30 a 40 centímetros, acertou a região superior da cabeça, transfixou e saiu na região da boca. Em seguida, o projétil impactou no piso de madeira. A vítima estava dominada quando recebeu o tiro, diz Oliveira Filho.
O perito do Instituto, Luis Noboru Marukawa, informa que Django recebeu um tiro de um revólver calibre 38. Na próxima semana, deverá estar pronto o exame de balística que será feito para verificar se o projétil foi disparado de uma arma encontrada no local do crime.
Luis Marukawa irá preparar o laudo do local da morte e entregá-lo na segunda-feira ao delegado do 4º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, responsável pelo caso. O perito ressalta que o local não estava totalmente preservado quando a equipe do Instituto chegou. Os policiais que chegaram antes entraram e saíram da casa, tanto que encontrei marcas de sangue deixadas por coturno no piso, esclarece.
Ontem, o delegado requisitou também ao Instituto que analise a fita de vídeo gravada por equipes da TV Londrina, durante o dia do crime, inclusive no momento da invasão da casa pelos sem-terra. O objetivo, segundo ele, é identificar os possíveis autores do homicídio. O trabalho será feito através do sistema de informática do Instituto e não existe prazo para a sua conclusão.
Jurandir André, que acompanhou a reconstituição, conclui que houve homicídio qualificado em função de a vítima não ter tido chance de se defender ou de não ter esboçado nenhum tipo de defesa. A pena para este tipo de crime é de 12 a 30 anos de prisão.
O delegado diz saber quem são os autores do crime, mas evitou citar nomes. Ele informa que ontem conversou com advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e solicitou que os acusados se apresentem espontaneamente à polícia até a próxima quarta-feira (dia 7). Caso a apresentação não ocorra, o delegado disse que pedirá a prisão temporária ou preventiva deles. Ele explica que se já tiver os laudos em mãos poderá solicitar à Justiça a prisão preventiva, caso contrário pedirá a temporária - válida por cinco dias.
Na segunda-feira, às 14 horas, na Subdelegacia de Tamarana, o delegado tomará o depoimento de 15 pessoas, todas do MST. Até agora, ele ouviu o arrendatário de 110 alqueires da fazenda Borborema, Pedro Ribeiro, e as pessoas que ele contratou para retirar as famílias de sem-terra que estavam acampadas no local. Jurandir André acredita que concluirá o inquérito dentro do prazo de 30 dias.
O promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka, também esteve presente à reconstituição. Na terça-feira, ele foi designado pelo procurador-geral de Justiça do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, para acompanhar o inquérito policial.
O promotor observa que houve violência dos dois lados, tanto dos sem-terra quanto dos seguranças contratados para retirar as famílias do local. Ele explica que, segundo testemunhas, o arrendatário, acompanhado dos seguranças, tentou tirar os sem-terra de uma forma até arbitrária, já que se apresentou sem a presença de um oficial de Justiça ou de policiais militares. Isso, segundo ele, fez com que os sem-terra revidassem.


