O terreno onde está instalado parte do Conjunto Neman Sayhun (Zona Sul de Londrina) vai passar por uma perícia técnica. A avaliação vai determinar quantas casas foram construídas sobre um aquífero da região e conduzir o processo que pode resultar em indenizações por danos materiais e morais aos moradores da região. A Pavibrás, construtora responsável pelo loteamento, já assumiu o compromisso de recompra dos terrenos dos moradores que se sentirem prejudicados.
A perícia integra uma ação civil pública da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), ajuizada em 2003 contra a prefeitura, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Pavibrás. O processo pede o respeito às áreas de preservação ambiental próximas ao conjunto. Segundo um levantamento prévio realizado pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), 189 dos 800 lotes do bairro estariam alocados irregularmente, dentro de áreas verdes e sobre lençóis freáticos. A realização das avaliações finais, orçadas em R$ 71 mil pelos peritos designados pela Promotoria de Meio Ambiente, estão emperrando o andamento do processo. Enquanto isso, alguns moradores assistem a água brotar do chão das casas e das ruas.
Durante uma reunião realizada ontem na Câmara a pedido dos moradores, os vereadores se comprometeram a pedir a agilização das perícias, ou pelo menos a redução do orçamento, elaborado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Instituto de Criminalística e Sanepar. ''O processo só está parado porque estamos aguardando as negociações dos honorários'', explicou a promotora Solange Vicentin.
Os laudos vão permitir à promotora saber se houve ou não irregularidades na autorização do loteamento, instalado em 1997. O diretor da Pavibrás, Paulo Silva, garantiu que a loteadora tinha todas as autorizações necessárias e que o loteamento foi erguido legalmente. ''A água que brota nas casas é a que escorre pela terra por toda a região e se concentra por ali.'' O presidente do IAP, Ney Paulo, argumentou que o processo é antigo e disse que o órgão pode ter sido conduzido a erro pelos laudos apresentados pela construtora.
A ação também aponta indícios de improbidade administrativa. ''Na época, a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) constatou as irregularidades e as comunicou à loteadora e aos demais organismos'', disse o advogado da ONG, Carlos Eduardo Levi.
À espera de uma definição sobre prováveis indenizações, os moradores sequer podem terminar as próprias casas. As reformas, ampliações e comercialização estão impedidas por uma liminar concedida pela Justiça, em 2004. ''A maioria das pessoas não pode terminar a construção e pagar aluguel ao mesmo tempo'', disse a representante dos moradores, Cleonice de Oliveira. ''Não vamos aceitar indenizações a preço de banana.''

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