Perícia foi prejudicada, diz IC
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
As circunstâncias do acidente que resultou em 13 mortes anteontem na BR-369 entre Santa Mariana e Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio) dificilmente serão esclarecidas de forma técnica. A afirmação é dos próprios peritos do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina que periciaram ontem os dois veículos envolvidos.
Segundo os perito, não houve perícia do local do acidente. Para piorar, o tacógrafo (aparelho que registra a velocidade) foi retirado do ônibus por policiais rodoviários, o que pode prejudicar ainda mais a investigação. Segundo o perito Marco Antônio Ota, o IC só foi notificado do acidente quase quatro horas depois, quando o ônibus e a belina já haviam sido retirados e a pista lavada. Segundo a polícia rodoviária e o motorista do ônibus, o acidente ocorreu porque o motorista da belina vinha no sentido contrário e invadiu a pista durante uma ultrapassagem. O ônibus passou por cima do carro, capotou e bateu em uma árvore.
''Na verdade o que fizemos hoje foi uma avaliação das avarias em ambos os veículos. Com isso não dá para apontar a causa do acidente'', afirmou Ota. Segundo ele, o principal interesse dos peritos hoje era a avaliação do tacógrafo. ''Como foi retirado, a prova perde a validade e não é mais confiável. Isso prejudicou bastante nosso trabalho'', completou.
O comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, capitão Sérgio Dalben deu outra versão dos fatos. ''Retiramos o tacógrafo porque não apareceu ninguém (da Criminalistica) lá, mas guardamos o disco de papel (onde ficam as informações) e anexamos ao boletim de ocorrência'', rebateu.
Ele também afirmou que é procedimento padrão acionar o IC imediatamente após os acidentes. ''Agora porque eles não foram eu não sei. Se o policial não acionar ele é responsabilizado inclusive legalmente'', disse.
Boa parte dos 23 feridos já haviam sido liberados ontem. Três pessoas continuam internadas em estado grave na UTI da Santa Casa de Cornélio Procópio. Há ainda pouco mais de 10 pessoas internadas em hospitais de Cornélio Procópio, Bandeirantes e Maringá.
Ontem também foi um dia de tristeza em Maringá, onde seis das 13 vítimas residiam. Boa parte do restante das vítimas era do interior de São Paulo e residia na cidade para estudar na Universidade Estadual de Maringá (UEM) que amanheceu hoje com as bandeiras a meio mastro. Cinco estudantes dos cursos de Medicina, Direito, Enfermagem, Estatística e Ciências Econômicas estavam entre as vítimas.
A polícia acredita que parte das mortes poderia ter sido evitada se os passageiros estivessem usando o cinto de segurança no momento do acidente. Das 13 vítimas, 10 foram arremessadas para fora do ônibus. A polícia rodoviária promete intensificar a fiscalização do uso do cinto por passageiros.


