O laudo pericial com as causas do desabamento da ponte da rodovia Mábio Gonçalves Palhano, na zona sul de Londrina, deve ficar pronto na próxima semana. O perito contratado pela Prefeitura está analisando os dados do projeto e da execução da construção da estrutura. A ponte foi inaugurada em setembro do ano passado e sofreu danos após as fortes chuvas que atingiram Londrina no começo de janeiro.
O secretário municipal de Obras e Pavimentação, Walmir Matos, explicou que está sendo avaliado o sistema construtivo e se o projeto seguiu as determinações das normas técnicas. O perito também vai analisar a resistência dos materiais utilizados na obra. "Queremos saber se foi alguma falha no projeto, na execução ou se foi a ação da natureza mesmo. Apenas um pilar ruiu e todo o sistema entrou em colapso", explicou o secretário.
Matos afirmou que a empresa de engenharia que elaborou o projeto levou em consideração informações sobre os dados históricos de precipitação em Londrina. "O volume de chuva histórico que tínhamos registrado era de 163 milímetros em 24 horas. No dia que a ponte desabou, o volume foi de mais de 270mm. Foi um volume de chuva fora do normal. Uma situação inédita", enfatizou.
A execução da obra foi fiscalizada pela Prefeitura e pela Caixa Econômica Federal. "O nosso fiscal está bem tranquilo em relação a execução da obra. Foram feitas várias análises do concreto", disse o secretário. Segundo ele, a cada nova carga de concreto utilizada, eram feitas provas de corpo para testar o tempo de cura e a durabilidade do material.
Se ficar comprovada alguma falha de projeto ou de execução, a empresa responsável terá que assumir os custos da reconstrução da ponte e a obra deve ser iniciada em poucas semanas. Caso contrário, a Prefeitura ficará responsável pela obra e não há prazo para a reconstrução. "Se ficar por conta do município, não temos prazo para construir uma nova ponte."
O custo da obra, que também incluiu a construção da ponte sobre o Ribeirão Esperança, cabeceiras, drenagem e recapeamento da via, foi de R$ 1,9 milhões. Grande parte do valor dos recursos foi repassada pelo Governo Federal com contrapartida de R$ 170 mil do município. O secretário afirmou que os valores para a reconstrução da ponte, estimados em torno de R$ 800 mil, foram incluídos no relatório dos estragos causados pela chuva.
A ponte antiga continua parcialmente interditada. Apenas o tráfego de carros, motocicletas, caminhonetes sem carga e pedestres está liberado. Uma das colunas de sustentação da ponte foi danificada e está sendo feito o reforço da estrutura. Para liberação do trânsito em meia pista foi feito o escoramento de uma das colunas de sustentação.
Foram instalados semáforos para organizar o trânsito com intervalos de um minuto e dez segundos para passagem de veículos. O tráfego de veículos pesados, caminhões e ônibus está proibido. Os ônibus das linhas que atendem os distritos da zona sul param antes da ponte. Os passageiros desembarcam, atravessam a pé e embarcam em outro ônibus para seguirem viagem. A previsão é que a ponte esteja totalmente liberada em 15 dias.

PONTE PROVISÓRIA
Os trabalhos de terraplanagem nas margens do Rio Taquara, no Patrimônio Guairacá (zona sul), para a instalação de uma ponte provisória devem ser concluídos até o Carnaval. Matos explicou que estão sendo preparadas as cabeceiras e, na semana que vem, deve chegar a estrutura que será instalada pelo 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado – Batalhão Juarez Távora, de Porto União (SC).
A ponte de concreto de 77 metros de comprimento que havia no local foi destruída pelas chuvas. A estrutura provisória flutuante que será instalada tem capacidade de carga de cerca de 85 toneladas e será liberada para o uso dos moradores nas próximas semanas. Hoje, o acesso ao patrimônio é feito por uma rota alternativa que passa pelo Distrito de Paiquerê e aumenta em até 20 quilômetros o percurso.

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