O chefe do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina, Daniel Felipetto, recebeu somente na manhã de ontem ofício da Polícia Civil de Cornélio Procópio sobre o acidente com ônibus, que resultou na morte de quatro pessoas e deixou outras 28 feridas. O ônibus da empresa Pluma, que fazia a linha São Paulo-Assunção, tombou na BR-369 por volta das 1h30 depois de ter saído da pista e batido numa árvore. Segundo Felipetto, por conta do Natal, o trabalho poderá ser concluído só na semana que vem.
Felipetto não sabia que o tacógrafo (aparelho que registra a velocidade do veículo) do ônibus já havia sido retirado do local. ''Durante a perícia teremos como checar se o tacógrafo foi violado. Esse aparelho só poderia ter sido retirado pelos nossos peritos. O ônibus também deve permanecer isolado. Se houve circulação de pessoas dentro do ônibus antes de termos checado, possivelmente isso pode atrapalhar nossas investigações'', disse.
Luis Carlos, um leitor da FOLHA que mora em Goioerê (78 km a oeste de Campo Mourão), leu a matéria sobre o acidente e entrou em contato com a reportagem. Ele disse que viajou, no começo do ano, de São José dos Campos (SP) até Laranjeiras do Sul (PR) em um ônibus da empresa. ''Foi uma viagem péssima e super tensa. O ônibus estava acabado. As luzes estavam todas com problemas, sem contar a porta do ônibus que não fechava direito. Na época, registrei reclamação na Agência Nacional de Transportes Terrestes e na própria empresa, mas nunca tive retorno'', disse.
Contactada pela Folha, a central da Pluma em Curitiba não localizou o registro feito pelo leitor. A empresa informou que todas as reclamações são averiguadas e são feitos contatos com os clientes num prazo máximo de 20 dias. Também foi salientado que todos os ônibus passam por revisões periódicas antes de qualquer viagem.
Das 28 vítimas feridas no acidente, sete ainda permanecem internadas. As vítimas fatais foram o motorista Wilson Ferreira de Carvalho, 54; Marli Schuz, 34; Nestor José L. Medina, 32, e Maria Nascimento dos Santos Costa, 73.
Velório - Familiares, amigos e colegas de trabalho de Wilson Carvalho estiveram reunidos na manhã de ontem para velar o corpo do motorista. O velório aconteceu na casa do motorista, no Jardim Leonor (Zona Oeste) e o enterro ocorreu às 9h15 no Cemitério Padre Anchieta, no Jardim Ideal (Zona Leste).
O motorista era solteiro e morava com uma irmã e dois sobrinhos. Um dos irmãos dele, Marcos Francisco de Carvalho, disse que o motorista tinha ''adotado'' os sobrinhos como filhos e que era uma pessoa que ''amava mais os outros do que a si mesmo''. ''Na Pluma ele trabalhava há cerca de 15 anos, mas como motorista já fazia 30 anos que ele atuava. Ele era uma pessoa muito religiosa que frequentava muito a Igreja Católica. Nunca se envolveu em nenhum acidente.''
A empresa disponibilizou um ônibus para levar os familiares e amigos até o sepultamento. Outro motorista da empresa, Donizete Peche de Oliveira, também esteve no velório. Morador de Curitiba, Oliveira veio a Londrina para se despedir do amigo. ''Assim que fiquei sabendo, vim pra cá. Faz oito anos que trabalho na Pluma e conhecia muito bem ele. É uma fatalidade. Penso muito na família que fica com essa tristeza, principalmente por ser época de Natal.''

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